sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Carta-argumentativa ao Exmº. Sr. Governador do Estado do Rio Grande do Sul

Piratini, 13 de dezembro de 2013.


Excelentíssimo senhor
Tarso Genro
M.D.: Governador do Estado
Palácio Piratini, Praça Marechal Deodoro s/n
90010-282 – Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.


Ilustríssimo senhor;

Respeitosamente, venho, por intermédio da presente, falar-lhe que é com pesar que percebo a fragilidade das estruturas educacionais do Instituto Estadual de Educação Ponche Verde e mesmo em nosso amado estado gaúcho, de maneira que faz-se necessária maior atenção à qualidade de ensino, à estrutura dos educandários e, em especial, ao referido Instituto.

A educação, de maneira geral, é o maior patrimônio que um indivíduo pode adquirir durante a vida: é inalienável e imprescindível. O saber formal, contudo, é a base para a ascensão social e espiritual de cada cidadão, como também para o desenvolvimento científico e tecnológico de qualquer país, logo, quanto maior a qualidade instrutiva desse saber, maior será a qualidade dos serviços e das condições de vida de um Estado; poder-se-ia dizer, grosso modo, que o IDH está diretamente ligado à questão educacional. Destarde, é a educação de seu povo o melhor instrumento para auferir-se o desenvolvimento do Brasil e, dentro deste, do aprimoramento de cada unidade federativa, de forma que se presume serem as unidades mais relevantes e influentes aquelas cuja qualidade educacional é maior.

Nesse tocante, o governo estadual gaúcho passa a ter não somente o compromisso legal de assegurar um sistema educacional de alta qualidade, como também o dever moral – e mesmo certo interesse político junto à União – de fazê-lo. Para tanto, é necessário não apenas uma bem desenvolvida e aplicada política educacional, com métodos atuais e pautada por parâmetros internacionais, ao invés de metodologias arcaicas e falidas, como também de ambientes de estudo seguros e confortáveis. Assim, o governo deve cuidar de assegurar aos gaúchos educandários bem estruturados, embora não luxuosos como algum gestor, há muitas décadas, supôs. Os investimentos devem ser sensatos e obedecer a verdadeiras necessidades, e não aterem-se a estereótipos; aulas podem ser ministradas até em um galpão bem limpo e construído, mas jamais num prédio vetusto, porém com sala de informática de última geração abandonada “às traças”.

Não obstante, é com certa alegria que recebi há poucas semanas, através da mídia televisiva, a informação de que o governo concluiu cerca de 1.100 reformas de escolas públicas. Assim, espero que o Instituto Ponche Verde seja também galardoado com a mesma investidura, pois se trata de um prédio quase centenário, o qual durante mais de 85 anos foi o único a abrigar uma escola de Ensino Médio em todo o município de Piratini, concatenando em seu pouco espaço físico o homérico número de alunos tanto da rede pública municipal de ensino, quanto da rede pública estadual, cujas instituições não abrigavam mais que o Ensino Fundamental. Hodierno encontra-se decadente, com cerca de quatro salas de aula interditadas pelo Corpo de Bombeiros porque parte do telhado desabou, sem falar no assoalho em farrapos e nas aberturas comprometidas, tanto quanto se pode perceber da estrutura pelos remendos e rachaduras visíveis às paredes. O Instituto corre o risco de ter mais âmbitos interditados pela autoridade civil, de modo que seu funcionamento e o porvir de centenas de alunos quedam a perigo.

Porquanto, compreende-se que, apesar da imensa dedicação e dos esforços admiráveis da atual gestora, Maria Lúcia M. Corral, de sua equipe diretiva e mesmo do quadro geral de servidores em manter o educandário e proporcionar aos alunos um ambiente confortável e seguro, a revitalização do I.E.E. Ponche Verde faz-se emergencial. No corrente, pelo que sabe as aulas somente não foram interrompidas devido aos inspetores de segurança haverem permitido o funcionamento parcial de algumas instalações que, todavia, não passarão em nova devassa. Atualmente até mesmo o auditório está servindo de sala de aulas para duas turmas, estando divido ao meio pelos armários de zinco da sala dos professores, a qual foi igualmente transformada em sala de aula. Os professores estão dividindo sala no intervalo com o SOE e com o Almoxarifado. Trata-se não apenas de uma questão política/econômica como supracitado, mas também – e preponderantemente – de uma questão de segurança pública de excepcional interesse do povo e, por conseguinte, do governo, como também uma obrigação legal e moral deste para com seus representados.

Certo de Vossa compreensão,
Mui cordial e respeitosamente,

Mateus Silva Farias
Aluno secundarista



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