segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Canção do Exílio.

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Gonçalves Dias
De Primeiros cantos (1847)

Marcas de batom no banheiro...

   Numa escola pública estava a ocorrer uma situação inusitada: meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom.
   O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom...
   Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora.
   No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram...
   No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.
   Nunca mais apareceram marcas no espelho!
   Moral da história: Há professores e há educadores...
   Comunicar é sempre um desafio!
   Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.
   Por quê?
   •Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
   •Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.

   •Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
   •Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade. 
   "O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes".
(Autor ignorado).

Canção do Exílio às Avessas

Minha Dinda tem cascatas

Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros
Da Ilha de Marajó
As aves, aqui, gorjeiam
Não fazem cocoricó.


O meu céu tem mais estrelas

Minha várzea tem mais cores.
Este bosque reduzido
deve ter custado horrores.
E depois de tanta planta,
Orquídea, fruta e cipó,
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.


Minha Dinda tem piscina,

Heliporto e tem jardim
feito pela Brasil's Garden:
Não foram pagos por mim.
Em cismar sozinho à noite
sem gravata e paletó
Olho aquelas cachoeiras
Onde canta o curió.


No meio daquelas plantas

Eu jamais me sinto só.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Pois no meu jardim tem lagos
Onde canta o curió
E as aves que lá gorjeiam
São tão pobres que dão dó.


Minha Dinda tem primores

De floresta tropical.
Tudo ali foi transplantado,
Nem parece natural.
Olho a jabuticabeira
dos tempos da minha avó.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.


Até os lagos das carpas

São de água mineral.
Da janela do meu quarto
Redescubro o Pantanal.
Também adoro as palmeiras
Onde canta o curió.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.


Finalmente, aqui na Dinda,

Sou tratado a pão-de-ló.
Só faltava envolver tudo
Numa nuvem de ouro em pó.
E depois de ser cuidado
Pelo PC, com xodó,
Não permita Deus que eu tenha
De acabar no xilindró.

 (Jô Soares).

Cinco qualidades que aprendi com um lápis.

   1° qualidade: Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.

   2° qualidade: De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.

   3° qualidade: O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos mantermos no caminho da justiça.

   4° qualidade: O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.

   E, finalmente a 5° qualidade: O Lápis sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços.
                                                                                                                                (Paulo Coelho).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Este Brasil com Z...

Em uma aula de história, durante a veemente explicação do professor sobre o conteúdo dado, batem à porta, o professor para sua narrativa, e atende-a; atiram-lhe um folheto e, sem dizerem uma única palavra, viram-se e vão se embora, deixando o mestre a “ver navios”, sem nada entender...

“É... Este é o meu Brazil, com Z mesmo, se fosse com S, isso não acontecia...”, exclamou o mestre com visível mescla de indignação e tristeza.

Vamos parafrasear...

A fala do professor, expressa o que muitos brasileiros sentem: indignação. Indignação com a falta de valores, de nobreza, de bom senso e, o mais importante de tudo, falta de educação.

É comum hoje em dia que dentro de sala de aula o professor tenha em média cinquenta alunos, dos quais quarenta e cinco por cento, não esboçam o menor interesse na aprendizagem. Dá-se por muito felizes quando conseguem ludibriar o mestre, colando na avaliação e assim obtendo injustamente uma nota alta. Enquanto um pequeno contingente de alunos passa de fato, pois esmeram-se em estudar.

Infelizmente, pelo emprego dessa lógica de que é muito mais conveniente tapear o professor para lograr resultados do que de fato aprender algo de sólido. É que nosso país é assim, cheio de políticos corruptos, maus profissionais, pessoas infantis, e por que não dizer, ignorantes.

Investem tantos recursos em coisas muitas vezes banais, deixando aos maus tratos as escolas. É comum que instituições tenham seus prédios sucateados, assim como mobiliários, sendo obrigadas a ofertar tanto aos discentes quanto aos docentes daquilo que dispõe, assim prejudicando a qualidade do ensino, muitas vezes.

De que adianta o governo investir tanto em futebol, exército, comércio etc, se deixam de lado o mais importante, a educação? Quando dar-se-ão conta de que a base de tudo, de toda a sociedade é a educação? De que, se de fato querem construir um país melhor, mais justo, democrático e evoluído têm de se investir em educação? Creio que ainda não foi percebido por nossos governantes esse fato, que com toda certeza, faz diferença, sim!

É na escola que durante nossa juventude, passamos maior parte de nosso tempo, é nela que deveríamos aprender além das disciplinas curriculares, também a preservar e agir de acordo aos preceitos morais, com ética, bom senso e educação, de forma equilibrada. Mas infelizmente, não é assim.

Professores enfrentam desinteresse dos alunos, o que muitas vezes contagia.

Ora! Lá se é coisa útil deixar de dar aulas para ir assistir a um jogo pueril em um ginásio público, distante da escola? Claro que não! É falta de consideração aos alunos que esmeram-se. É dar razão à libertinagem e a falta de aplicabilidade dos demais.

Admito, a interação escolar com a sociedade é importante, mas para assistir uma atividade que irá acontecer o dia inteiro, no caso do jogo, que todos já são veteranos em saber do que trata – gente correndo atrás de um objeto esférico, com o intuito de acertá-lo no gol adverso ao seu para marcar pontos -, não e necessário interromper as aulas.

A que ponto chegará? Vivemos em um país onde já não se valoriza a moralidade. Banalizou-se a tudo e a todos, não há mais nada que seja indesejável tratar em público. Nada mais é impudico.
A meta é tornar o Brasil um país economicamente desenvolvido, e ao que tudo indica educacionalmente falido.

“A nossa bússola moral aponta o lugar, contudo, não nos leva até lá. Isso é uma escolha nossa. Infelizmente, nossa sociedade acredita que pode fazer o que quiser sem se envergonhar disso e, enquanto assim for, toda a ação para remediar as falhas e os erros será mero paliativo.”

Aos 06 de maio de 2011.



   Farias, M. S. "Este Brasil com Z". Maio de 2011. www.livredialogo.blogspot.com
   
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Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.
 
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