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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O dia D


São os interesses que movem o mundo
Homem virou amigo de inimigo para consegui o que quer
Mulher abaixou a inveja para cobiçar com mais precisão
Quem está em cima tem que está pisando em baixo
Muitos homens viraram tapetes comuns
O que levanta a voz pedindo mudança
Realmente lutará por isso?
Ou é outra voz da corrupção?
Outro mentiroso, mais um.
E cadê os cidadãos de bem? 
Esquecidos pela nova ordem mundial?
Escondidos em suas conchas
Afinal, em um mundo tão sujo.
Eles são perolas.
Talvez não queiram se misturar
A corrupção é quase uma doença contagiosa
Vai transmitindo de um a outro
Só quem está imune é quem está atualizado com seus anticorpos.
A corrupção esta infectando a grande massa da população
O que trará a cura desse vírus desastroso? Ou quem trará a cura?
Chega de promessas
Prometer é colocar o futuro em papel de presente.
Vivemos o presente, o momento, o hoje.
Precisamos não de promessa, mas de ação.
Será hoje o dia D? O dia da erradicação da doença corrupção?
Ou seu vírus manifestará sintomas de desonestidade por toda história humana?



 Menires, Ana. "O dia D". Julho de 2012.  http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima. 

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Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Muros


Ele está lá. Preso na liberdade do seu dinheiro, preocupado com as espinhas que vão surgir com o excesso de chocolate que carrega consigo. Assistindo a estreia do filme novo com os amigos presunçosos. Do outro lado do muro onde ele mora está uma família que vive na incerteza se o pai voltará para casa com comida. Vive vários garotos punidos com uma dura realidade que eles fogem indo soltar pipa.  A criança acreditou no homem que vestia terno e olhava pela câmera como se realmente estivesse falando com ela. A criança acreditou que esse homem iria descer do confortável carro e pisaria na realidade que ela vive.
Então, eis que se rebelou o rapaz que sempre é humilhado por causa de suas condições de vida, o menino calmo carrega ódio nos olhos, e a vermelhidão que trás consigo no olhar é o efeito da droga se manifestando. Não apresentaram a solução para o rapaz, mas apresentaram as drogas. Ele desce e sobe o morro várias vezes ao dia, servindo de entregador para manter o próprio vicio. A família não o vê mais em casa, as raras vezes que ele aparece é para pegar alguma coisa para vender, e a mãe fica fazendo costuras o dia todo na sala da casa para ajudar no sustento da casa.  Mais um morador do bairro vitima de assassinato, a mãe abandona a maquina de costurar e fica atenciosa ao fato noticiado, mas não há com o que se preocupar é apenas outro consumidor de drogas que não quitou as dividas e pagou com a vida, não há necessidade de alarme, esse seria outro bandido motivado pelo vicio.  Crianças, jovens, adultos todos estão dividindo o mesmo céu, o mesmo ar.  Nascer, Crescer, Reproduzir e morrer, Já que as leis naturais parecem ser iguais para todos porque detrás daquele muro tem outra realidade? Outro mundo cheio de  temor?
O menino continua sorrindo com os amigos pela piada de um astro de Hollywood, ele falava das milhares de operações feitas para ficar bonito, mas para que pagar caro para ficar bonito, se do outro lado do muro está cheio de pessoas necessitando das condições básicas de humanização. 
Será sempre assim? O muro sempre vai está erguido dividindo as realidades opostas? Ou um dia a sociedade derrubará todos os muros que ainda estão erguidos entre uma vida e outra. Daremos outro grande salto, da mesma forma como foi feito ao muro de Berlim? Ou vamos viver para sempre acomodados a nossa própria realidade?


 Menires, Ana. "Muros". Junho de 2012.  http://livredialogo.blogspot.com.br/
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domingo, 17 de junho de 2012

Maneira de amar.

O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mando-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não, respondeu, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava".
 Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Ladrão de Maçã

- O que foi filho?
O menino chorando, com as mãos sujas de terra, correu ao encontro da mãe.
- Minha maçã. Roubaram minha maçã.
- Eu te falei para você ficar quietinho lá na escadinha
- O menino veio e pediu um pedaço, eu não dei, ele me tomou e saiu correndo.
- Como ele era?
- Feio, usava um boné preto, cabelo grande, olhos azuis.
- Ele estava com mais meninos?
- Não, era só ele.
A mãe toma as providencias cabíveis e Meia hora depois o guarda municipal traz o menino.
- Olha aqui, o delinquente de maçã. Ele já faz isso há muito tempo. Temos aqui um futuro bandido.
- Foi você que pegou a maçã do meu filho?
O menino baixou a cabeça, e com os dedos dos pés faziam um desenho no chão empoeirado.
 - Moleque, estou falando com você.
O menino parecia não se importar. Quando o guarda deu um tapinha forte na cabeça do menino.
- Responde delinquente.
- Veja só como esta nosso país, uma criança dessa idade e já é ladrão. Pelo jeito, esse menino não tem um futuro brilhante.
- Se o país está assim, a culpa também é sua.
- Como é que é?
- Sou um ladrão de maçã não porque eu quero, mas porque eu não tenho o que comer. Eu pedi um pedaço de maçã para ele, ele me ignorou, disse para eu sair de perto dele, eu estava com fome, peguei a maçã e sai de perto dele.
- Você rouba e coloca a culpa em meu filho?
- Eu vivo na rua, nunca tive pai nem mãe, nunca tive uma casa, nem brinquedo, mas tenho vontade. Vontade de poder pegar um ônibus e ir à escola, vontade de segurar na mão de um adulto sabendo que ele vai me proteger. Vontade de ganhar um pouco de atenção ou uma maçã.


- Eu não tenho nada a ver com seus problemas.
- Não me chame de ladrão ou que eu não tenho um bom futuro. Eu ainda tenho esperança que tudo vai mudar. Eu sei que é errado roubar maçãs de crianças que poderiam ser minhas amigas. Eu tenho fome, desejos, sonhos, eu quero coisas que todos os dias vocês jogam fora, eu quero o abraço que vocês não se importam. Eu quero mais que maçã.
A mulher já estava abismada com o que o menino dizia.
- Eu roubo maçã, mas se eu pudesse roubaria o amor que vocês desperdiçam, roubaria um pouco de colo. Mesmo que fossem restos, mas é melhor que viver nessa solidão, onde só ganho restos de comida, e às vezes tenho que rouba-las para ter. Não sou o ladrão de maçãs, sou o ladrão de sonhos, sonhos que a vida já tirou de mim, eu estou apenas pegando de volta.
A mulher não se conteve e lacrimejou o guarda já o havia soltado, então a mulher agachou-se e abriu os braços, oferecendo ao ladrão de maçãs, o que ele mais deseja roubar, mas que nunca conseguiria, pois era impossível, um abraço esperançoso, e cheio de sentimento.
- Desculpa, desculpa, desculpa.
A mulher soluçava no ouvido do menino.
- Eu sou mais que um ladrão de maçã.
- Eu sei disso, não quis lhe julgar, mas o fiz, então me Perdoa, desconhecia os motivos pelo qual você cometia tal erro.
Ele continuou, como se ele mesmo estivesse forçando a acreditar no que dizia.
- Sou mais que um ladrão de maçãs.
Após alguns minutos. A mulher levantou e disse ao guarda.
- Encaminhe esse menino a um orfanato e me passe o endereço, vou adotá-lo.
O Guarda ficou surpreso com aquele pedido.
- Ele é um ladrão.
- Ele é mais que um ladrão de maçã, ele é um ladrão de sonhos, não quero repetir o mesmo erro duas vezes.
-Soube do seu filho mais velho.
- Então faça o que lhe peço.
Ela novamente se agachou ao menino e sussurrou
- Vai dá tudo certo. Você vai resgatar seus sonhos outra vez.



 Menires, Ana. "O Ladrão de Maçã". Maio de 2012.  http://livredialogo.blogspot.com.br/
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