domingo, 12 de abril de 2015

A dança do amor

"Teu sorriso faz-me sorrir, dá-me tanta tranquilidade...
Sou feliz.
Quando me abraças apertado sinto-me tão bem contra teu peito, estou segura.
Esse olhar?! Ah, esse olhar de quem ama...
Quanta alegria! Sou amada!
A dança do amor nunca acaba...
Tantos sentimentos, tantos pensamentos!
Nesse turbilhão de emoções, perco-me em mim,
Será possível amar e ser amada assim?
O coração aperta...
Insegurança de quem ama, somente.
Vejo que estás a sorrir... A dança recomeça novamente"



Kah Moreira: "A Dança do Amor". Abril de 2015. http://livredialogo.blogspot.com/
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quinta-feira, 12 de março de 2015

"Problema de Homens", por José Saramago.

"Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que creem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que o homem tem que resolver.

"De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres que saíam à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo.

"A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe de lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio.

"É o problema das mulheres, diz-se, e isso é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável covardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica.

"Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e á violência. Direito de usar o que consideravam seu. Este novo ato de violência de gênero, mais os que se produziram neste fim de semana, em Madrid uma menina foi assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante de sua filha de seis anos, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de gênero, como resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia".

Via: OBVIUS.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O delírio do boicote

Tem circulado nas redes sociais, inclusive por meio de algumas páginas com preocupante poder de influenciação, um "hoax" que exorta ao boicote de postos de combustíveis com o logo da Petrobrás/BR distribuidora. Segundo o texto, a intensão é retalhar o reajuste sobre os combustíveis, forçando a estatal a reduzir os preços e, por conseguinte, as "concorrentes" Shell, Ipiranga, Esso, Texaco etc.
Em primeiro lugar, os postos com bandeira Petrobrás, em geral, não são propriedade da estatal; são de inciativa privada e se utilizam da identidade visual da empresa produtora do combustível. Ao deixar de comprar num posto que tenha o logo "BR" ou "Petrobrás" não se estará atingindo a estatal, e sim aos empresários donos do posto e, por consequência, aos funcionários.
Em segundo lugar, as maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil atualmente são a BR, Shell, Ale, Cosan e Ipiranga. Nenhuma delas possui refinaria aqui, de modo que a fonte da Gasolina e do Diesel que vendem é a mesma: a Petrobrás. Na verdade, existem no Brasil cerca de 13 refinarias que produzem gasolina e diesel. Até um tempo atrás só a Ipiranga e a Manguinhos eram de capital privado. Em 2012 a gigante estatal adquiriu por US$ 4.000.000.000,00 (quatro bilhões de dólares) o grupo Ipiranga. Em 2010 a Petrobrás e a Refinaria de Petróleo de Manguinhos, RPM, haviam assinado um protocolo de intensões que poderia resultar na Petrobrás como acionista majoritária da RPM. Não encontrei informações atualizadas sobre essa possível compra, apenas especulações. De qualquer forma, qualquer das empresas citadas obedece às normas da Agência Nacional de Petróleo, ANP, que regulamenta a produção e refino. Em 2001, mais de 98% da produção de combustíveis no Brasil vinha das refinarias da Petrobrás.
O que influencia no preço dos combustíveis é, normalmente, a cotação do dólar e o valor do barril de petróleo. No caso do Brasil, vale lembrar que enquanto os preços dos combustíveis subiam no contexto internacional, por cá se mantiveram praticamente inalterados.
"Segundo o Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o governo brasileiro represou os preços enquanto o valor do barril disparava no mercado externo. E agora não consegue acompanhar a redução da cotação estrangeira porque a Petrobras tenta recuperar o que perdeu nos últimos anos" (GASOLINA..., 2015).
A ideia de boicotar os postos é uma tolice. Somente prejudicariam aos empresários e aos seus empregados. A Petrobrás não sentiria esses prejuízos. Tampouco as "concorrentes" iriam diminuir seus preços por medo de também sofrerem retaliação. Se os postos Shell, Texaco, Esso, Ipiranga etc., segurarem por mais tempo o reajuste ou até mesmo "minorá-lo" - coisas que eu considero muito pouco plausíveis -, certamente não seria por isso, e sim pelo custo do frete.

Farias, M. S. "O delírio do boicote". Fevereiro de 2015. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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Referências:

ALVES, Jessica; CHAVES, João Marcelo Pinto. ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA PETROBRÁS: Estudo com Enfoque na Gestão Baseada em Valor ao Acionista. 2013, 117 p. Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia de Produção da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro, Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: <http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10008600.pdf>. Acesso em: 03 fev. 2015.
GASOLINA está quase 70% mais cara no Brasil do que no exterior. Disponível em: <http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/01/gasolina-esta-quase-70-mais-cara-no-brasil-do-que-no-exterior.html>. Acesso em: 03 fev. 2015.
AÇÕES de Manguinhos entram para o IBrX, da BM&F, a partir de segunda. Disponível em: <http://www.valor.com.br/empresas/2645886/acoes-de-manguinhos-entram-para-o-ibrx-da-bmf-partir-de-segunda>. Acesso em 03 fev. 2015.
COMPRA do grupo Ipiranga, de US$ 4 bilhões, é maior aquisição já realizada no país. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/compra-do-grupo-ipiranga-de-us-4-bilhoes-maior-aquisicao-ja-realizada-no-pais-4208420>. Acesso em: 03 fev. 2015.
PARA REDUZIR importações, Petrobras bate recorde de refino em 2014. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/02/1584048-para-reduzir-importacoes-petrobras-bate-recorde-de-refino-em-2014.shtml>. Acesso em: 03 fev. 2015.
VÁRIAS marcas, um só produto. Disponível em: <http://motorshow.terra.com.br/secao/reportagens/varias-marcas-um-so-produto>. Acesso em: 03 fev. 2015.
O SPAM sobre o boicote da Petrobrás. Disponível em: <http://guiadossolteiros.com/2011/04/18/boicote-da-petrobras/>. Acesso em: 03 fev. 2015.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Resenha analítica de o "Inventário de valores organizacionais"


TAMAYO, Álvaro; MENDES, Ana Magnólia; DA PAZ, Maria das Graças. Inventário de valores organizacionais. Psicologia, UnB, Brasília, DF, 2000, 27 p.

A produtividade de uma empresa está associada a diversos fatores compreendidos em sua Cultura Organizacional, a qual adota por base um conjunto de valores que regem o quotidiano da organização. Contudo, a existência de diferentes modelos mentais implica compreensões distintas de tais valores pelos indivíduos, podendo causar incompatibilidades e conflitos danosos à empresa e a seus funcionários. Nesse sentido, a Psicologia Organizacional, hodierno, dedica grande atenção à supracitada cultura, empenhando-se em construir modelos estratégicos, sobretudo na área de recursos humanos, que permitam atender com maior eficiência e eficácia as necessidades sócio-institucionais relacionadas à sobrevivência e bem-estar das organizações.

Os pesquisadores adotaram três conjuntos de perspectivas bipolares para representar os valores organizacionais: (a) autonomia versus conservadorismo, (b) hierarquia versus igualitarismo, (c) domínio versus harmonia. Um instrumento composto por 36 itens foi aplicado a uma amostra de 1.010 empregados, com idade média de 38,82 anos, de ambos os sexos, provenientes de cinco organizações do Distrito Federal, os quais se voluntariaram para o estudo. 12% dos participantes ocupavam cargos de gerência. A abordagem proposta consistia em estudar os valores organizacionais a partir da percepção que os empregados têm dos valores existentes e praticados na sua empresa.

Cada empresa possui um determinado perfil – algumas mais mecanicistas, outras com sistemas mais orgânicos. Mesmo nos diversos departamentos de uma mesma organização podem existir diferentes climas de trabalho, rotinas, costumes, usos, valores etc., que são determinantes para o desempenho de cada empregado, à sua satisfação no trabalho e, consequentemente, à produtividade da empresa.
Uma organização é constituída não propriamente pelos seus componentes físicos, e sim pelo seu próprio funcionamento, isto é, “a função dita à forma”: cada tarefa, cada cargo pressupõe um papel a ser desempenhado pelo funcionário, criando assim expectativas de comportamento que acabam por se converter em exigências, as quais sendo valorizadas e compartilhadas pelo grupo tornam-se valores inerentes à função – um bom exemplo é imaginarmos um servidor que cuida da manutenção terminar o expediente e ir até o bar frente à organização tomar um copo de cachaça, um fato sem qualquer relevância, mas, por outro lado, se esse servidor for o presidente dessa organização instantaneamente repercutirá.
Isso ocorre porque todo membro é capaz de desenvolver uma visão mais ou menos clara dos papeis e dos valores que predominam em sua organização e essa visão, certa ou errada, orienta o seu comportamento. Daí a importância dos valores na elaboração dos perfis culturais das organizações: eles são o alicerce; os valores funcionam como padrões para o julgamento e a justificação do comportamento de si e dos outros.
A forma como o indivíduo percebe e se relaciona com a realidade organizacional constitui o aspecto cognitivo fundamental através do qual ele desenvolve as suas crenças acerca dos múltiplos aspectos da vida organizacional. Em geral, os valores em uma organização expressam os interesses e os desejos de alguém – o fundador, o dono, o presidente –, ou de um grupo de membros da empresa, afigurando-se como uma consciência mais ou menos clara das metas organizacionais.
Cada cultura organizacional pressupõe, também, certa hierarquia de valores, a fim de evitar a dissonância dos diferentes modelos mentais existentes entre os componentes da organização. Cada indivíduo possui um entendimento subjetivo do mundo real, e esse entendimento age sobre a sua forma de perceber os valores da organização, o que, por sua vez, poderá causar incompatibilidades e conflitos com colegas e mesmo com os gerentes acerca, por exemplo, da execução das tarefas. Isso ocorre, fundamentalmente, porque a percepção do grau de importância daquilo que será considerado primário ou secundário será relativo à hierarquia dos valores e à representação mental da organização que o indivíduo cria.
Desta forma, tal como as sociedades e os indivíduos, as organizações se deparam com exigências universais que devem ser satisfeitas para garantir a sua sobrevivência, criando, como resposta, padrões de comportamento e valores que orientem a sua vida quotidiana.
Assim, os valores são capazes de aliar os empregados em relação a um objetivo, fazendo com que permaneçam dentro da estratégia, desempenhando seus papeis adequadamente. Neste sentido, os valores constituem-se no delineamento da estrutura da organização, pois eles caracterizarão a maneira de pensar, agir e mesmo de sentir dos funcionários, definindo o quotidiano, a vida na empresa. As próprias normas são uma espécie de instrumentalização desses valores, formas de “estimular”, ou melhor, determinar padrões de comportamento.
O inventário de valores constatou que no Brasil, à exceção da perspectiva “hierarquia versus igualitarismo”, os valores associados a todas as outras conseguem coexistir no ambiente organizacional.

De fato, não são poucos os casos de que se encontra registro em fontes confiáveis, na internet, de ações judiciais envolvendo demissões relacionadas a conflitos entre empregados e chefias com termos como “incompatibilidade de gênio”, ou reclamações no sentindo de limitação da iniciativa e desprestígio do indivíduo. São diversas as queixas e a terminologia, mas todos compartem de um mesmo princípio: a divergência de valores. Esses conflitos são bastante perniciosos à organização, pois afetam a produtividade e demandam custos, quer seja com o processo de demissão, quer seja com o processo de seleção de novos funcionários. Destarde faz-se imperioso que as organizações reservem maior atenção ao desenvolvimento de um perfil cultural organizacional alinhado aos valores ligados ao bom desempenho de suas atividades, considerando certa margem para a subjetividade dos membros: é preciso papeis, normas, subsistemas organizacionais e estratégias de trabalho bem definidos e claros. Como inferido pelo Inventário, há no Brasil uma particularidade muito profícua: a maioria das perspectivas tradicionalmente conflitantes consegue coexistir de forma saudável, proporcionando ambientes de trabalho satisfatórios à empresa e aos empregados. A compreensão de suas próprias culturas também permite à organização estabelecer um melhor relacionamento com o meio natural e social no qual está inserta, além de maior precisão na identificação da necessidade de mudança, onde e como, da mesma forma que as causas de resistência à mudança.

O artigo é um material bastante interessante, embora um tanto complexo, para ser estudado com tempo e profundidade, pois permite inúmeras inferências sobre o quão importante é o papel dos valores pessoais e culturais em relação à organização, como também os valores da própria, relacionados à sua natureza, missão e objetivos. Possui um alto valor pedagógico ao salientar a complexidade das relações humanas e institucionais. Permite, ainda, aos acadêmicos e gestores, avaliarem os tipos motivacionais em dois níveis diferentes – o dos valores reais, ou seja, aqueles que na percepção dos empregados são realmente praticados na empresa, e os desejados, que designa o grau de importância ou prioridade que os empregados gostariam que fosse dada a cada um dos valores apresentados.

Álvaro Tamayo, doutor em Psicologia Social pela Université de Louvain, Bélgica, é professor titular da Universidade de Brasília; Ana Magnólia Mendes, é doutora em Psicologia Organizacional pela Universidade de Brasília, é professora adjunta da Universidade de Brasília; Maria das Graças T. Da Paz, doutora em Psicologia Organizacional pela Universidade de Brasília, é diretoria do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília.

Farias, M. S. "Resenha analítica de o 'Inventário de valores organizacionais'". Dezembro de 2014. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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domingo, 23 de novembro de 2014

Aos leitores do DL

    Este ano o blog teve pouquíssimas atualizações e, em decorrência, significativa queda de visualizações/acessos. O motivo de tão pouco se ter publicado é que a equipe se desfez. Desfez-se, porém, por um bom motivo: todos nós concluímos o Ensino Médio e seguimos caminhos distintos no Ensino Superior. Alguns fazem Letras, outros Administração - todos em Universidades diferentes. As responsabilidades com a Faculdade tomaram a maior parcela do tempo que antes dispúnhamos. O pouco tempo que ainda resta, alguns antigos colaboradores decidiram dedicar aos blogs individuais, que sugiram da partição neste. 
    Espero que, nos próximos meses, eu consiga voltar a publicar, ao menos aquilo que foi produzido à Faculdade - e também que novos colaboradores surjam! 

- Farias, M.S. 
 
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