segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo


"Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e até junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma relação qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que é que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substituído a fé pela ciência, não sofriam por isso mesmo moralmente? Não seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ciência proporciona a essas questões perturbadoras? E punha-se então a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as soluções tão desejadas.

"(...) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos últimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso à aldeia, Platão e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes filósofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele próprio encontrava então argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava - quer através das leituras das suas obras, quer através dos raciocínios que estas lhe inspiravam - a solução do famoso problema, sucedia-lhe sempre a mesma coisa. Termos imprecisos, tais como 'espírito', 'vontade', 'liberdade', 'substância', ofereciam um certo significado à sua inteligência enquanto se deixava envolver na subtil armadilha verbal que lhe armavam; logo que regressava, porém, depois de uma incursão na vida real, a este edifício que supusera sólido, ei-lo que via desmoronar-se como um castelo de cartas, vendo-se obrigado a reconhecer que o edificara graças a uma perpétua transposição dos mesmos vocábulos, sem recorrer a essa 'qualquer coisa', que, na prática da vida, importa mais do que a razão.

"'Schopenhauer proporcionou-lhe dois ou três dias de serenidade, mercê da substituição a que procedeu em si próprio da palavra 'amor' por aquilo a que o filósofo chamava 'vontade'. Quando o examinou, porém, do ponto de vista prático, esse novo sistema estiolou-se como todos os outros, mero trajo de musselina que era no fundo. Como Sérgio Ivanovitch lhe tivesse recomendado os escritos teológicos de Komiakov, foi ler o segundo volume das suas obras. Embora desanimado logo de início pelo sentido polémico e afecetado do autor, nem por isso deixou de se sentir menos impressionado com a sua teoria da Igreja. A crer em Komiakov, o conhecimento das verdades divinas, recusado a um homem só, é concedido a um conjunto de pessoas que comungam do mesmo amor, isto é, a Igreja. Esta teoria reanimou Levine; uma vez que aceitasse a Igreja, instituição viva de carácter universal, com Deus à frente, e santa infalível por conseguinte, era-lhes mais fácil aceitar os seus ensinamentos sobre Deus, a criação, a queda, a redenção, que principiar do princípio, pelo próprio Deus, esse ser longínquo e misterioso. Infelizmente, tendo lido em seguida duas histórias eclesiásticas, uma de um escritor católico, outra de um escritor ortodoxo, chegou à conclusão de que as duas Igrejas, ambas infalíveis na sua essência, se repudiavam mutuamente. E a doutrina teológica de Komiakov não resistiu mais ao seu exame que os sistemas filosóficos.

"Durante toda aquela Primavera, Levine parecia outra pessoa. Viveu momentos terríveis. 'Não posso viver sem saber o que sou e com que fim fui lançado a este mundo', dizia ele de si para consigo. 'E visto que não poderei chegar a sabê-lo, torna-se-me impossível viver. No tempo infinito, na infinidade da matéria, no espaço infinito forma-se um organismo como uma borbulha, mantém-se por algum tempo, depois rebenta. Essa borbulha sou eu!' Este sofisma doloroso era o único, era o supremo resultado do raciocínio humano levado a cabo durante séculos; era a crença final da base de quase todos os ramos da actividade científica; era a convicção reinante.

"E porque lhe parecia a mais clara, Levine, involuntariamente, deixara-se penetrar por ela. Mas esta conclusão parecia-lhe mais que sofística; via nela como que a obra cruelmente irrisória de uma força inimiga a que era preciso subtrair-se. A maneira de se emancipar disso estava ao alcance de cada um... E a tentação do suicídio perseguiu tão frequentemente aquele homem sadio, aquele feliz pai de família, que tratou de afastar de si todas as cordas e nem sequer se atrevia a sair com a espingarda. Contudo, em vez de se enforcar ou de queimar os miolos, continuaria muito simplesmente a viver".

 (TOLSTOI, Leon. In: "Anna Karenina").

sábado, 22 de agosto de 2015

"A política de proibição das drogas aumenta ou diminui os crimes relacionados a elas?"


"Um problema persistente enfrentado por nossa sociedade é o uso de drogas ilegais, como a heroína, a cocaína, o ecstasy e o crack. O uso de drogas tem diversos efeitos negativos. Um deles é o fato de que a dependência de drogas pode arruinar a vida dos usuários e de suas famílias. Outro é que os viciados em drogas muitas vezes recorrem ao roubo e a outros crimes violentos para obter o dinheiro de que precisam para sustentar seu vício. Para desencorajar o uso de drogas ilegais, o governo norte-americano gasta bilhões de dólares por ano para reduzir o fluxo de drogas que entram no país. Vamos usar as ferramentas da oferta e da demanda para examinar essa política de combate às drogas.

"Suponhamos que o governo aumente o número de agentes federais dedicados ao combate às drogas. O que acontece com o mercado de drogas ilegais? Como de hábito, responderemos a essa pergunta em três etapas. Em primeiro lugar, vamos verificar se as curvas de oferta e demanda se deslocam. Em segundo, vamos verificar a direção do deslocamento. E, em terceiro, vamos ver como o deslocamento afeta o preço e a quantidade de equilíbrio.

"Muito embora o objetivo de uma política de proibição das drogas seja reduzir seu uso, o impacto direto dessa política recai mais sobre os vendedores que sobre os compradores. Quando o governo impede que algumas drogas entrem no país e prende mais traficantes, aumenta o custo de venda das drogas e, portanto, reduz a quantidade ofertada a qualquer preço dado. A demanda por drogas - a quantidade que os compradores desejam a qualquer preço dado - não muda. Como mostra o painel (a) da Figura 9, a proibição desloca a curva de oferta para a esquerda, de O1 para O2, e deixa a curva de demanda inalterada. O preço de equilíbrio das drogas aumenta de P1 para P2 e a quantidade de equilíbrio cai de Q1 para Q2. A diminuição na quantidade de equilíbrio mostra que a proibição das drogas reduz seu uso.

"Mas o que acontece com a quantidade de crimes relacionados às drogas? Para responder a essa pergunta, considere a quantia total que os usuários de drogas pagam pelas drogas que compram. Como são poucos os viciados em drogas que abandonarão seus hábitos destrutivos por causa de um aumento nos preços, é provável que a demanda por drogas seja inelástica, como indica a figura. Se a demanda é inelástica, então um aumento nos preços aumenta a receita total do mercado de drogas. Ou seja, como a proibição das drogas aumenta o preço destas proporcionalmente mais do que do que reduz seu uso, ela eleva a quantidade total de dinheiro que os usuários pagam pelas drogas que compram. Os viciados que já tinham de roubar para sustentar seus hábitos terão uma necessidade ainda maior de dinheiro rápido. Assim, a proibição das drogas pode aumentar o nível de crimes ligados a elas.

"Por causa desse efeito adverso da proibição das drogas, alguns analistas sugerem abordagens alternativas para o problema das drogas. Em vez de procurarem reduzir a oferta, os formuladores de políticas deveriam tentar reduzir a demanda por meio de uma política educacional. Uma bem-sucedida política educacional quanto às drogas tem o efeito representado no painel (b) da Figura 9. A curva de demanda desloca-se para a esquerda de D1 para D2. Com isso, a quantidade de equilíbrio cai de Q1 para Q2 e o preço de equilíbrio cai de P1 para P2. A receita total, que é o preço multiplicado pela quantidade, também cai. Assim, ao contrário de uma política de proibição das drogas, uma política educacional contra elas pode reduzir tanto seu uso quanto os crimes relacionados a elas".




MANKIW, Nicholas Gregory. Introdução à Economia: Princípios de Micro e Macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014.

Sobre política e livre-arbítrio

Acho curioso como algumas pessoas negam o livre arbítrio. Dizem-se, por exemplo, que as cartas de azar destroem famílias e fortunas, que as armas matam, que a bebida desgraça, que as redes sociais destroem relacionamentos... Ora, e quanto aos que manejam tudo isso? A responsabilidade inerente às escolhas, ao descuido das pessoas é amiúde repassada à coisas inanimadas ou mesmo imateriais.
Assim também ocorre na política. Queixamo-nos da corrupção, mas não da nossa, evidente: da corrupção dos políticos que elegemos! E, francamente, qual outro critério a maioria dos eleitores utiliza se não os benefícios particulares que espera lograr votando neste ou naquele candidato daquele ou deste partido? A intensão do voto deveria ser um ato de cidadania, de civismo, não cinismo.
Qual a diferença entre as pequenas trapaças e corruptelas que praticamos no quotidiano daquelas que os políticos, os empresários proeminentes e o seu chefe praticam? O que muda, diria um amigo sábio, é o tamanho da oportunidade!
Se admitirmos certo comportamento em nome de uma satisfação pessoal simplesmente por que "isso não vai prejudicar ninguém", ou por que "não faz diferença", mesmo sabendo do incorreto que o é, estamos permitindo uma flexibilização de nossos valores. Conforme a oportunidade cresce e esse comportamento se torna habitual, a dimensão da corrupção aumenta.
Vejo dizer que vivemos uma crise ética. Discordo. Ética é matéria de estudo da Filosofia; não se impõem: ela serve para estudar a moral - e ainda assim requer uma perspectiva, como diria um professor de Legislação Social. A "ética" à qual estamos habituados é, na verdade, código deontológico.
Penso que vivemos uma "crise" de consciência, onde cientes da hierarquia de nossos valores, toleramos comportamentos e práticas sem a coragem de submetê-los à essa mesma hierarquia. E, por isso mesmo, é mais conveniente atribuir a qualquer outro que não a cada um em sua medida a responsabilidade por consequências desastrosas.

Como disse Thatcher:
 "Cuidado com seus pensamentos porque se convertem em palavras. Cuidados com tuas palavras porque se convertem em ações. Cuidado com tuas ações porque se tornam hábitos. Cuidado com os teus hábitos porque eles formam teu caráter. Cuidado com teu caráter porque se torna o teu destino. Nós nos tornamos naquilo em que pensamos".


Farias, M. S.

sábado, 15 de agosto de 2015

Análise do Documentário sobre a fórmula Black-Scholes:

Trabalho apresentado à disciplina de Teoria
Econômica como requisito parcial à aprovação.


Introdução


O assim intitulado “Documentário sobre a fórmula Black-Scholes” refere ao desenvolvimento de tal formulação matemática. Inicia-se abordando um dos problemas associados à especulação acionária de mercado: os riscos sobre retorno de investimento. Em outros termos, os riscos relativos a se comprar algum ativo em detrimento de outro e os rendimentos desse serem menores que os daquele.

Com base em suas experiências, os “traders” compram e vendem ativos nos pregões das bolsas de valores, alguns ganham maior notoriedade devido à suas altas taxas de acerto, isto é, de lucro sobre a compra de ações, por exemplo. No documentário, Leo Melamed, notório trader, fala sobre a intuição como principal ferramenta de escolha na negociação desses ativos.

Porém, acadêmicos passaram a estudar o mercado financeiro e a atuação dos traders a fim de buscar compreender seu funcionamento e mesmo “domar” o mercado. Esses estudiosos realizaram uma série de experimentos chegando à conclusão nada lisonjeira aos traders de que o mercado de capitais funciona de maneira tão aleatória que qualquer tipo de análise ou escolha metódica seria impossível, de maneira que os traders não teriam outro tipo de experiência se não em contar com a sorte.

Se há 10.000 pessoas olhando para as ações, assim 1 a cada 10.000 vai marcar, por acaso, uma grande ação. Isso é tudo o que está acontecendo. É um jogo, uma operação de oportunidade. As pessoas pensam que estão fazendo algo proposital, mas realmente não estão (MILLER[1] apud DOCUMENTÁRIO...).

Assim, por algum tempo, sugere o documentário, os acadêmicos desistiram de buscar domesticar o mercado, até que em 1950 o professor Paul Samuelson deparou-se com o quase extraviado trabalho de Louis Bachelier, no qual se afirmava serem imprevisíveis os preços das ações, mas possível livrar-se dos riscos através das opções. Tudo o que lhe faltava era uma fórmula matemática capaz de avaliar amplamente tais opções. Isso fez com que os acadêmicos voltassem a estudar o Mercado com mais ânimo.

A partir desse novo fôlego aos estudiosos, seguiram-se inúmeras tentativas de prever o comportamento do mercado a fim de se minimizar os riscos e maximizar os lucros. Muitas delas descambaram em fórmulas matemáticas gigantescas, abstratas e inaplicáveis, a partir das quais, mais tarde, Black e Scholes iniciaram seus trabalhos, chegando à concepção da famosa notação capaz de atribuir um preço justo e coerente a uma opção com base na variação de uma ação.

Uma opção, segundo os próprios Black e Scholes apud Oga (2007) “são espécie de derivativo, um contrato que dá a seu titular o direito de comprar ou vender um ativo, sob certas condições, num determinado período de tempo”, enquanto que os Derivativos são documentos cujo valor de negociação deriva de outros ativos.

Para melhor entendermos imagine-se a seguinte situação: ao decidir comprar certa bicicleta, o indivíduo pesquisa, de loja em loja, o preço. Em certo estabelecimento ele a encontra por R$ 500,00, valor que considera satisfatório. Porém, prefere pesquisar em mais algumas lojas. Para não perder a compra, propõem ao dono da loja que lhe guarde a tal bicicleta pelos mesmos R$ 500,00 até às 18 horas do dia seguinte, pagando, para tanto, uma quantia de R$ 5,00.

Nesse caso, o ativo é a bicicleta; o valor da opção, também chamado de prêmio, é R$ 5,00; o strick, também conhecido como preço de exercício é R$ 500,00, ou seja, é o valor pelo qual o indivíduo terá direito de comprar a bicicleta no prazo de exercício, que nesse caso é até às 18 horas do dia seguinte.

 Black-Scholes

Scholes e Black com base na literatura econométrica disponível à época começaram a trabalhar em uma nova formulação, sem aqueles conceitos imensuráveis e desnecessários, chegando aos elementos básicos da equação: o preço das ações, sua volatilidade, a duração da opção, a taxa de juros e o nível de risco.

Esse último, no entanto, era um problema ainda imensurável, até que por meio de uma espécie de experimento promovido por eles com uma carteira teórica de ações e opções, desenvolveram o conceito de “hedging dinâmico”, isto é, uma forma de equilíbrio do valor global da certeira por meio de aplicações/apostas contrárias aos movimentos de flutuação desse valor. Dessa forma, o hedge é uma forma de seguro contra as oscilações de preços por meio da especulação. Logo, eles puderam eliminar o risco de sua equação – o grande “milagre” da fórmula Black-Scholes.

Porém, mensurar o risco, na prática, era tanto mais difícil, considerando que o mercado move-se rápido demais. O cálculo seria tardio. Assim, com base na fama de Robert Merton, Black e Scholes o contatam e, a partir de então, ele passa a tomar parte no desenvolvimento da fórmula, adaptando o Cálculo de Ito[2] à formulação, permitindo que o risco fosse continuamente eliminado pelo constante recalcular da opção, viabilizado pela ideia de tempo contínuo.

O Modelo Black-Scholes, o qual permite precificar, isto é, pôr um preço numa opção com base no valor das ações[3], foi finalmente publicado em 1973, na edição maio-abril do “Journal of Political Economy”.

Posteriormente Scholes e Merton[4]  fundaram o “LTCM”, um fundo de investimentos com uma estratégica diferente, mantida em sigilo dos próprios investidores, dentre os quais os maiores bancos do mundo. Graças às suas reputações, Scholes e Merton obtiveram uma receita inicial total de US$ 3 bilhões. Durante os três primeiros anos, o “LTCM” obteve lucros excepcionais, chegando ao ápice da taxa de retorno de 43% aos investidores.

A perspectiva de Scholes e Merton era de que, em longo prazo, as diversas taxas de juros de títulos de governos de diferentes países iriam convergir, de modo que negociavam na diferença existente entre elas. Eles passaram a investir grandes somas em títulos russos, o que lhes levou à falência quando, em 1998 a Rússia declarou moratória. Com base no hedging dinâmico, o “LTCM” parou de comprar papéis governamentais, procurando refúgio nos seguros títulos do governo americano, e a diferença entre as taxas de juros dos títulos aumentou rapidamente. Quando o fundo foi à falência, levou Wall Street ao pânico, conforme Münchau[5], fazendo com que o Federal Reserve System traçasse um plano de recuperação do “LTCM” a fim de evitar uma crise bancária talvez fatal ao mercado de capitais à época.

[...]

Considerações Finais

Como visto, a mercado sempre esteve à mercê do risco. O Modelo Black-Scholes de precificação surgiu como um alento esse problema, permitindo que as carteiras de investimentos fossem mantidas em equilíbrio por meio da prática intitulada pelos autores de “hedging dinâmico”, ao passo que as opções, cujo valor antes era pouco mensurável graças às constantes e aleatórias flutuações do mercado, ganharam um método de precificação com base no preço das ações e com alto grau de exatidão.

O Modelo, grosso modo, analisa como mercado tem se comportado (o preço da ação é em si fruto do comportamento do mercado e ela é um dado central no calculo do preço da opção) e, com base nesses dados, formula como se há de comportar.
É claro que diversos fatores podem influenciar o grau de acerto do cálculo. Por exemplo, o cálculo demonstrativo feito pelo site “EPXX.CO[6]” em 27 de novembro de 2007:

“[...] vamos calcular uma opção de acordo com o fechamento de hoje. Vale do Rio Doce (VALE5) fechou com a cotação de 52.06 (na verdade fechou a 51,90 no aftermarket, mas vamos considerar o fechamento oficial, pois opções não têm aftermarket). A volatilidade anual da Vale, calculada de acordo com o último mês, é de 46,92%. A taxa de juros atual é 11,75% ao ano. A opção VALEL50, com strike de 49,66, expira dia 17/12. Jogando tudo isso na calculadora, o resultado é 3,64. Isso quer dizer que o valor "justo" da opção é 3,64 [...].No entanto, VALEL50 fechou hoje cotada à 3,97. O que isso quer dizer?  Pode querer dizer que qualquer dos fatores citados acima (sem ágio, rendimentos aleatórios e tendentes à taxa de juros) podem não ser verdade”.

O site argumenta que como não existe método melhor que o Black-Scholes, os negociadores preferem atribuir essa discrepância dos valores ao que chamam de “volatilidade implícita”. Essa noção de volatilidade se explica pela lei da oferta e da demanda: há muitos compradores de ações da VALEL50 , que adquirem essas ações na esperança de que elas se valorizem muito e aumentem o lucro do comprador. Naturalmente isso pressiona a demanda e o preço sobe.


Outro aspecto interessante das opções é que, caso a cotação da ação esteja acima de R$ 3,67, como ocorreu, os compradores poderão compra-la pelo valor de R$ 3,67 ao invés de R$ 3,97. E depois, se quiserem, vende-la por esse maior valor. Por outro lado, quando a opção é de venda e não de compra, o vendedor pode exercer o seu direito de vendê-la por R$ 3,67, mesmo que a cotação da ação esteja, por exemplo, em R$ 2,50, e depois compra-la pelo preço mais baixo.

[...]

Por fim, os intermediários e os traders profissionais, em geral, procuram utilizar-se no processo de negociação não apenas de conhecimento fundamentalista como o Modelo Black-Scholes, mas conforme o próprio documentário evidencia, preferem confiar tanto mais em suas intuições e instintos, afinal, o mercado é imprevisível e aleatório demais para ser teorizado e planificado em fórmulas perfeitas. Tal como Documentário afirma, “há um fascínio tentador e fatal na Matemática”. Mensurar o comportamento é algo ainda impossível para a rigidez do Cálculo!


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1. Merton Miller (1923-2000), professor da Universidade de Chicago, publicou com Franco Modigliani em 1958 o artigo “The Cost of Capital, Corporate Finance and the Theory of Investment” no qual se opõem à perspectiva da Teoria da Empresa.
2. Desenvolvimento pelo cientista japonês Ito para calcular a trajetória de foguetes. Grosso modo, o cálculo permite dividir o tempo em partes infimamente pequenas ao ponto de trata-la como num continuo, o que permitia atualizar constantemente a trajetória dos foguetes.
3. Embora hoje possua uma ampla aplicação em Economia.
4. Black falecera anos antes de todos serem laureados com o Prêmio Nobel pela descoberta da fórmula e, portanto, antes da criação do Fundo.
5. MÜNCHAU, Wolfgang. Os anos de colapso: o estouro da crise econômica mundial. Tradução: Francisco Araújo Costa. Porto Alegre: Brookman, 2014.
6. A FÓMULA de Black-Scholes para precificação de opções. Disponível em: . Acesso em 08 jun. 2015.


Referências 




DOCUMENTÁRIO sobre a fórmula Black-Scholes. Disponível em: . Acesso em: 07 jun. 2015.
OGA, Luiz Fernando. A Teoria da Ciência no Modelo Black-Scholes de apreçamento de opções. 2007, 60 fls.. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

SOLA, Guilherme; et al. Manual de aplicação do Modelo Black-Scholes para a precificação de opções. INFINANCE. [s.l], [s.d].
TIPOS de investidor. Disponível em: . Acesso em: 07 jun. 2015.






Farias, M. S. "Análise do Documentário sobre a fórmula Black-Scholes:". Junho de 2015. http://livredialogo.blogspot.com.br/

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