terça-feira, 29 de maio de 2012

Os 'bituqueiros'.

O toco de cigarro foi jogado ao chão da rua pública. A pessoa que o jogou tem, reconhecidamente, curso superior. É verdade que não foi em faculdade de Bons Modos, ou Biologia ou Ecologia, mas, convenhamos: é inadmissível tal gesto irresponsável de qualquer ser humano, ainda mais em se tratando de quem teve acesso à instrução universitária, ou seja, após ter percorrido vários anos de estudos sistemáticos em escolas públicas ou privadas. Enfim, respeitar o direito dos outros é básico.

O problema é que o repugnante ato de jogar o toco de cigarro em via pública é  comum no meu cotidiano o que me torna muito descrente no ser humano em pleno Século Vinte e Um, com tantas mensagens de preservação ambiental nos  meios televisivos, rádio etc. Será que as mentes desses “bituqueiros” é refratária a lições de etiquetas com o que seja lixo e lixeira?

O termo que recém criei – “bituqueiro” – deriva de “bituca”, toco de cigarro. Milton Nascimento, notável cantor e compositor brasileiro, tem o apelido de Bituca. Quero duvidar que ele  - se fumante – jogue suas “bitucas” nas ruas públicas de sua Minas Gerais ou nos tantos locais por onde chega a fim de encantar o público, com sua voz afinada e deliciosamente afeita a falsetes. Aliás, se eu souber que Bituca também joga “bituca” no chão, ficarei menos seu fã.

Os “bituqueiros” são muitos. Já os flagrei em várias circunstâncias. Provêm de variados estratos sociais, desde os mais humildes até os graduados em universidades. Pergunto, a propósito, que universos conseguem alargar à sua volta diante da bituca que abandonaram ao léu: esperam, com certeza, que alguém a recolherá? Não concebem que poderá desprender-se da ponta não apagada do cigarro uma fagulha capaz de dar gênese a um incêndio, se ficar em contato com um pasto seco etc?  Não se perguntam sobre o itinerário da “bituca”, qual seu trajeto a partir do local em que foi abandonada?...

Será que os “bituqueiros” respeitam o ambiente dos não fumantes, será que separam o lixo que produzem em sacolas separadas (orgânico e inorgânico), será que percebem os incêndios gerados às margens das rodovias (possivelmente oriundos, em muitos casos, de “bitucas” acesas jogadas pelas janelas dos veículos automotores), será que abusam de sacolas plásticas nas despedidas consumistas dos supermercados, será que são consumistas?

- Será que os “bituqueiros” não vão aprender?...

Farias, Juarez Machado de. "Os 'bituqueiros'". Maio, 2012. http://livredialogo.blogspot.com/ 
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

sábado, 26 de maio de 2012

Olhos negros desconcertantes... - Parte 4

                                                            
                                                                            4.

Poucas vezes em minha vida fiquei sem saber o que fazer como naquele momento! Aceitei o braço que um estranho me estendia, mas para mim era muito mais... Ganhei mais que um acompanhante para um casamento, era muito mais que um antigo conhecido. Aquele homem transbordava mistérios; mistérios que eu necessitava desvendar.
 Os sinos da igreja soaram, a noiva entrou e o casamento ocorreu. Foi tão rápido que mal percebi. Notei que devíamos nos retirar para festa, quando me entregaram um punhado de arroz para jogar aos noivos.
 Desci as escadarias sempre com o braço do desconhecido a me amparar. Depois das saudações no começo da celebração, ele não havia aberto a boca para dizer-me nada! E eu ainda não sabia seu nome... O ex-noivo avistou-me de longe, enquanto banhava-se na chuva arroz. Sua expressão de medo voltou-lhe a face. A frieza do olhar de Antônio fez-me estremecer; prontamente, meu belo desconhecido, cobriu-me com seus braços e me dirigiu a seu carro. No mesmo momento veio-me a cabeça as recomendações de minha juventude: ”-Madalena, não aceite carona de estranhos!”, então hesitei quando, com sua gentileza cotidiana, meu acompanhante me ofereceu o banco do carona de seu carro altamente luxuoso. Olhei nos seus olhos logo, ele percebeu meu medo e sorriu.
 - Qual seu medo Madalena? Não percebe que podes confiar em mim?. Sorriu e deslizou a mão pelo meu rosto.
- Não posso aceitar carona de estranhos!- Eu lhe disse tentando me convencer também.
 O desconhecido se afastou com dois passos para trás; com os olhos, me mediu dos pés e cabeça, piscou seus olhos negros desconcertantes e gargalhou freneticamente. Senti-me ofendida no principio, mas cai na gargalhada junto dele! Foi aí que percebi... Não havia mais jogos de sedução, não havia mais recomendações que chegassem a tempo. Eu havia caído na armadilha! Me entregado sem lutar... Havia me apaixonado por um completo desconhecido.
 - Tenho uma solução para o nosso aparente problema, Madalena!- Segurou minha mão e foi me guiando por um caminho desconhecido.
 Já não sentia medo. Aquele homem havia me conquistado sem proferir ao menos seu nome. Caminhamos por alguns minutos em meio a um campo onde apenas a luz do luar nos iluminava. Meus pensamentos estavam confusos, mas não me permiti fazer qualquer pergunta ou comentário. “Madalena o que você está fazendo aí?”, era o que minha cabeça dizia, mas a curiosidade não me deixou fugir. 
 - Pra onde está me levando?- Perguntei num sussurro. Mesmo não vendo seu rosto, percebi que ele sorriu.
 Havia algum tempo que estávamos andando quando, de repente, ele parou em frente a uma grande árvore. Pôs a mão em minha cintura, beijou-me os lábios e disse:
 - Prazer, meu nome é Petrus...

Farias, Maikele. "Olhos negros Desconcertantes... - Parte 4". Maio de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, Maikéle., foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cultura e Identidade Cultural.

Geralmente as pessoas costumam associar cultura exclusivamente a grau de estudos, mas, no entanto, ela abrange muito mais que isso. Cultura é tudo aquilo que dá sentido ao mundo que cerca um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos, assim, fazem parte da cultura de um povo, elementos como, a religiosidade, a definição dos valores morais, idioma que falam o grupo étnico a que pertencem à história da sociedade na qual está inserido o indivíduo etc.

Ao longo de nossa vida vamos adquirindo novos conhecimentos e expandindo nossa cultura sobre determinados assuntos, porém, é incoerente dizermos que alguém que não possui os mesmos conhecimentos que nós é inculto, pois como já foi dito, cultura não se resume apenas a conhecimentos, é ela uma rede complexa de elementos que dão significado ao mundo de um indivíduo, composta de diversos elementos e que caracteriza os povos pelo conjunto de fatores que compõe a sua sociedade.

Cada povo tem sua própria cultura, com suas próprias características, isso se chama Identidade Cultural, é o que distingue um povo do outro, por exemplo, no Rio Grande do Sul existem adágios linguísticos que são características do povo gaúcho, assim como a visão de valores morais, a religiosidade, a arte, a culinária, os modos de vestir, pensar e agir dentre outros. Já em outro estado, como, por exemplo, São Paulo, esses elementos culturais possuem outras características.

Por mais que conheçamos e nos moldemos a outras culturas, a nossa identidade cultural permanecerá a mesma, pois ela influencia na nossa formação, seja pelo modo que agimos, seja pelo modo que pensamos.

No entanto, atualmente, contrariando as antigas definições de Identidade Cultural, novos pesquisadores acreditam que seja ela um fator que esteja em natural modificação ao longo dos anos, indo de contra a opinião dos folcloristas que lutam para preservar a sua cultura e para cristalizá-la.  Os novos pesquisadores desse campo acreditam que a junção de esferas culturais acabe resultando na originação de uma nova cultura e de uma nova Identidade Cultural. De fato é o que se observa hoje. A mescla dos povos, com seus costumes e tradições, está a gerar um novo fator cultural e de Identidade Cultural.

O tema Cultura e Identidade Cultural é ainda muito complexo, pois não dependem unicamente de “a” ou “b” fatores, mas de diversos fatores, que se modificam e se agregam ao longo da história a uma determinada sociedade, a uma determinada civilização.

Farias, M.S. "Cultura e Identidade Cultural". Maio de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima. 

Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, M. S. , foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

Referências:
http://www.alunosonline.com.br
http://www.suapesquisa.com
http://pt.wikipedia.org
http://blig.ig.com.br
http://br.answers.yahoo.com
http://mundoeducacao.uol.com.br
Cultura: In: BENTON, William. Enciclopédia Barsa. Rio de janeiro, São Paulo: Encyclopedia Britannica Editores LTDA. 1964 – 1969; p. 47-50, Tomo 5.

sábado, 19 de maio de 2012

Olhos negros desconcertantes... - Parte 3



                                                                      3.
 Dizem que a dor é ótima aliada para decisões certas e é mesmo verdade... Antônio adentrou o altar com os olhos dissimulados mais famosos da região. Fazia algum tempo que não o via e pude perceber que sua nova “dona” havia dado um jeito no modo bagunçado dele ( de corpo e alma)!
 Sentei-me nas últimas fileiras, pois por mais descarada que fosse não me permitiria estragar o sonho de alguém; pelo menos não naquele instante... O suspense aconteceu quando Antônio veio em minha direção depois de ver-me. Eu sorri, mas sua expressão era impenetrável. Logo eu, que decifrei seus segredos por tantos anos não consegui desvendar suas feições tão minhas conhecidas. Levantei-me, pronta para escutar um pedido de retirada com muita educação, mas o de sempre aconteceu, Antônio surpreendeu-me num abraço desesperado por socorro. Nós gargalhamos e ninguém entendeu o porquê.; convidou-me para sentar e conversar. Sorri com desdém e neguei o pedido. Abraçou-me de novo e então implorou num sussurro quase inaudível:
“- Não deixe-me dizer sim!”
O aperto no meu coração ficou suspenso entre a pena, seguida, de euforia. Eu estava certa mais uma vez!
“- Este é teu destino meu bem...”.
 O desespero no seu olhar tomou lhe o rosto inteiro. Antônio era uma afetação de dor! Apressei o diálogo para um breve beijo em sua face e afastei-me. O que menos queria naquele momento era que fofocas chegassem aos ouvidos da noiva...
 Meu antigo amor ficou feito estátua antes de ser carregado para seu devido lugar. O ar começava a me faltar e as dúvidas transbordavam novamente. Finquei um dedo no outro até quase gritar de dor. Eu tinha um propósito e não desistiria de cumpri-lo. Fui até a rua e enchi os pulmões de ar tanto quanto pude. Logo o casamento começaria e não haveria mais tempo para medo, dúvidas e muito menos euforia. Digo que a suprema felicidade veio da cena que passou-se com Antônio. Nada poderia tirar-me o contentamento de vê-lo descomposto e sem reação, depois que, só havia o medo de descobrir que ainda amava-o e com isto não precisava mais me preocupar. A artimanha de chegar mais cedo para ser vista havia dado certo. Claro que na cabeça de todos só o fiz para desconcertar o noivo e fazer com que largasse tudo, mas para mim era apenas confirmação. Não podia seguir com o plano sem ter a certeza que o noivo não mexia mais com meu coração!
 Até que estivesse certa que o casamento começaria decidi que ficaria na rua. Acendi um cigarro, coisa que não fazia desde que decidira deixar do vício. A “conversa” com Antônio havia me deixado, como dizer... Atordoada! Ou digamos, menos que isso, o sentimento na verdade era: Preocupação. E nada mais que isso... Meu medo era que o casamento terminasse antes de um “Feliz Para Sempre”, quem sabe terminasse antes mesmo do ‘aceito’, o que não era comum e causaria um final no mínimo trágico nesta história toda.
 Então, como que saído da luz que emanava de todos os lados (e quem sabe se não foi das trevas?), o desconhecido apareceu e dirigiu-se a mim diretamente. Fiquei branca, verde, rosa... Já não era Madalena e sim um arco-íris em carne e osso!
 - Olá Madalena, flor de meus encantos... O que fazes na rua? Venhas, serei teu acompanhante esta noite! Ofereceu o braço como exímio cavalheiro que parecia ser, mas me guiou com uma força e determinação de mãe que segura o filho pelas orelhas...

  Farias, Maikele. "Olhos negros Desconcertantes... - Parte 3". Maio, 2012.  http://livredialogo.blogspot.com/ 
  Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, Maikéle., foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A energia e o homo sapiens.

Basicamente, tudo o que fazemos tem participação de alguma forma de energia, por exemplo, para digitar o presente necessito utilizar um computador e para imprimi-lo uma impressora, todos estes equipamentos para funcionarem precisam de energia elétrica oriunda de uma hidrelétrica, ou uma termoelétrica, ou de energia eólica, ou então de uma termonuclear. Para que eu digite este texto – ou faça um manuscrito - é necessário ainda o movimento coordenado de minhas mãos, para isso meu corpo, meus músculos produzem energia mecânica. Entretanto, para que eu faça qualquer coisa é necessário que parta um estímulo nervoso do meu cérebro com a ordem/informação; este tipo de energia é a energia química ou bioquímica. Enfim, para a construção deste simples texto é indispensável o emprego de diversas formas de energia.

Em nossa pré-história a descoberta do fogo e o seu domínio pelo homo sapiens é um marco relevante, pois a partir de então o homem passou a desenvolver utensílios de cerâmica e metal, a evolucionar. O fogo é uma forma de energia que começa com uma reação química (que gerará a chama), o fogo por sua vez gerará calor (energia térmica), hoje as usinas termoelétricas – qual o nome já diz – funcionam por esse princípio, porém, transformam a energia térmica em mecânica e esta última em energia elétrica. Com a criação de ferramentas de metais, o homem primitivo pode levar a agricultura para lugares mais distantes das regiões próximas a rios, desenvolvendo nessas regiões mais afastadas também a pecuária e outras formas de subsistência, ampliando seu domínio sobre a natureza e dando origem a civilizações espalhadas por diversas áreas. As primeiras civilizações utilizavam-se de animais de tração à agricultura, o que lhes facilitava, por exemplo, o plantio, safra e transporte de alimentos. Com esse subsidio, tonou-se possível vender o excedente da safra, nascendo assim o comércio.

Na Idade Média o uso de animais de tração persistiu, porém com aperfeiçoamento dos métodos, optimizando-se o uso de energia animal. Surgiram também algumas outras invenções tais como: o moinho que podia ser alimentado por energia gerada pela água ou então pela energia dos ventos aumentando a capacidade humana de prover alimentos, fazendo com que se pudesse ampliar ainda mais o plantio e a moagem de grãos, dando ao comércio maior amplitude, o que fez com nascessem burgos e cidades e também o capitalismo comercial. As grandes navegações foram viáveis pelo uso de velas que utilizam a energia do vento (eólica) para mover as suntuosas embarcações, estas navegações possibilitaram grandes descobertas, a exemplo das Américas e o início das importações e exportações de produtos em caráter internacional.

As revoluções industriais, britânica e alemã, trouxeram à luz novos métodos de produção, mais eficientes, baratos e rentáveis, substituindo o trabalho humano e a tração animal pelo uso de máquinas, capazes de produzirem mais em menor tempo. Para movimentarem as máquinas utilizavam-se formas de energia assim como a hidráulica (roda d’água), o que fez com que as fábricas buscassem sede próxima a rios que também serviriam de porto, e da energia a vapor (a pressão gerada pelo vapor de água dava movimento à máquina). Ambas estas formas de energia acabam convertendo-se em energia mecânica. Nas máquinas a vapor podemos observar três formas de energia, uma originando a outra: energia química (da combustão) dando origem ao fogo, o qual gerará calor, isto é, energia térmica que aquecerá água, gerando vapor que moverá o motor gerando energia mecânica. Também graças à invenção do motor a vapor construíram-se locomotivas e trens que possibilitaram o transporte de cargas e passageiros em menor tempo e com custos mais baixos. Podemos dizer que o motor a vapor foi uma das mais relevantes invenções tecnológicas do período das revoluções industriais. Mais tarde ele foi substituído pela turbina a vapor, mais eficiente.

A partir do século XIX começou-se a trabalhar na ideia de um motor de combustão interna, vários cientista trabalharam no desenvolvimento desta máquina, sendo Nicolas Diogo Léonard Sadi Carnot em 1824 o criador da teoria fundamental do motor de dois tempos¹ e Samuel Morey em 1826 o criador da primeira patente de um motor de combustão interna. A partir de então outros cientistas desenvolveram motores mais eficazes a exemplo do motor de quatro tempos e boxer. Em 1900 Rudolf Diesel patenteou um motor de grande eficiência, hoje conhecido como motor a diesel, utilizado em máquinas de grande porte como, tratores e navios. Estes motores para funcionarem geram uma combustão interna (energia química) gerando energia térmica que será transformada em energia mecânica.

Com a Segunda Guerra Mundial desenvolveu-se um armamento letal: a bomba atômica. Este invento que a princípio mostrava-se tão nefasto e tendo como único propósito a destruição, deu origem a outra forma de produção de energia: a energia termonuclear, também descoberta pelos cientistas Otto Hahn, Fritz Straßmann e Lise Meitner durante uma fissão nuclear. A fissão nuclear é uma reação exotérmica durante a qual ocorre a intensa liberação de energia, é, portanto, a forma pela qual as usinas termonucleares e também as bombas atômicas produzem energia. Durante este processo sucede-se a quebra do núcleo de um átomo instável, pelo bombardeamento de partículas como, por exemplo, nêutrons, obtendo-se assim dois átomos menores. As usinas termonucleares aproveitam o calor irradiado durante essa reação nuclear para esquentar a água até que ela transforme-se em vapor, que movimentará um turbogerador gerando energia mecânica que será convertida em energia elétrica.

Existem também outras formas de energia, como a energia radiante, associada à energia eletromagnética – luz, ondas de rádio, luz infravermelha. Quando os raios infravermelhos atingem um objeto fazem com que suas moléculas se movam mais depressa, gerando energia térmica.

Podemos observar que a evolução humana tecnológica começou com a descoberta e o domínio do fogo, o que possibilitou ao homem primitivo levar luz ao interior de cavernas, cozer alimentos, criar ferramentas de metal e utensílios de cerâmica. A partir de então, com o uso das ferramentas ideadas expandiu-se o domínio humano sobre a natureza, o que possibilitou o surgimento de diversas civilizações em vários lugares que antes desses inventos eram tidos como inóspitos. Desde então, muito evoluímos em aspectos gerais, talvez, sem o domínio do fogo, não teríamos conseguido evolucionar, ao menos da forma como hoje temos ciência, o que nos remete pensar que a evolução do homo sapiens é inseparável da questão energética. Infelizmente, à medida que fomos adquirindo capacidade de alterar a natureza a nosso gosto, também a fomos degradando paulatinamente, alterando o equilíbrio biológico com a construção de barragens para hidrelétricas; com a emissão de CO2 pelas termoelétricas; de incidentes nucleares com vazamento de radioatividade que levou à morte centenas de pessoas a exemplo da detonação das bombas em Hiroshima e Nagasaki, da fundição e explosão do núcleo da usina termonuclear de Chernobyl em 1986 e do recente ocorrido, em 2011, na termonuclear de Fukushima que felizmente não foi tão catastrófico em termos de vidas humanas, mas, entretanto, houve a contaminação radioativa do solo, ar e água da região.

Atualmente estudam-se meios de produção de energia que não afetem ao meio-ambiente, dois exemplos bastante comuns são a energia eólica e a energia solar. Este último geralmente é utilizado no telhado de algumas residências; consiste em placas que captam a energia dos raios de sol e a partir de células fotoelétricas a convertem em energia elétrica.



1. Motor de dois tempos é um tipo de motor de combustão interna de mecanismo simples. Ou seja, ocorre um ciclo de admissão, compressão, expansão e exaustão de gases a cada volta do eixo. Diferente dos motores de quatro tempos, onde as etapas de funcionamento não ocorrem de forma bem demarcada, havendo admissão e exaustão de gases simultaneamente, por exemplo.

        
         Farias, M.S. "A energia e o homo sapiens." Maio de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
        Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima. 


Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, M. S. , foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

Referências:
http://linkpb.net/?p=2655
http://livredialogo.blogspot.com.br/2012/02/meio-ambiente-um-patrimonio-preservar.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eletromagnetismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_nuclear
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fissão_nuclear
http://pt.wikipedia.org/wiki/Motor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Motor_a_vapor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Motor_de_dois_tempos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Núcleos_atómicos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução_Industrial
http://www.suapesquisa.com/industrial/

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Minha Mãe...

   Hoje, ainda cuida de seus frutos... mesmo quando a vida torna-a frágil. Minha mãe, memória de eu tempo que me tornei guardiã...  Hoje aprendo a renunciar o muito da vida pelo seu pequenino mundo que se manifesta. 
   Por vezes ainda estou, por seus olhos, na contestação própria da adolescência, e assim busca esclarecer e aconchegara a filha em suas trilhas pela vida, nestes momentos sinto a afetividade em grau admirável pela incondicionalidade em aceitar e amar.
   O hoje já tá indo, o amanhã uma incógnita... Numa expressão sábia da existência humana, mesmo quando é ofuscado por dificuldades e embaraços... O hoje ela esquece, o que foi o ontem e o que virá depois...
   Por tudo que se pode refletir, mãe pode adoecer... pode esquecer... mas algo internamente nela permanece sempre lúcido, sábio e amoroso: SOMOS TEUS FILHOS!!!
   É fundamental que NÓS, os filhos tenhamos olhos de ver, de ver além das sombras, das dificuldades e limitações humanas. Que se veja o amor que nunca se extingue.. nem se esquece... 
   No agora, torno-me numa fusão de papeis... sou tua filha, sou tua mãe é, nos tornamos uma só... A maternidade veio-me não pelos caminhos habituais, assim somos... aprendendo, construindo, sentindo e tentando.
   Grato por tudo minha MÃE, Izabel da Costa Lopes! 
   Feliz dia das mães...


   Lopes, Alexandra da Costa. "Minha mãe...". Maio de 2012livredialogo.blogspot.com.br
   Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Esta obra de Lopes, Alexandra da costa, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

Olhos negros desconcertantes... - Parte 2

                                                                             2.
   Terminei de escrever a carta a Antônio com uma breve ironia. Sei que logo após lê-la, ele teria um de seus, tão normais, ataques de fúria. Logo senti pena de sua meiga e nova dona. “Será que ela já se acostumou aos delírios de Antônio?”. Sobre Antônio havia ainda muito que eu me perguntava. Por exemplo: Qual o motivo de nosso afastamento? Por que a loucura de se meter em um casamento que jamais iria para frente? (Não que eu desejasse isto!).

   Entre correrias de trabalho e à procura de meu vestido de baile, o desconhecido não saiu de minha cabeça um só momento. Qual seu nome? Onde trabalha? De onde vem? Tantas perguntas e a Madalena gastou seu tempo de perguntas sem fazê-las. Tonta! A autoindulgência também não era um de meus fortes...
   Bem, escolhi um modelo qualquer. No que importa o que eu vestiria? Minha cabeça estava voltada ao meu plano de ataque e contra-ataque; entretanto, gostaria de estar elegante no casamento de meu antigo amor. Estava preparada para a desconfiança que aparentemente seria voltada a mim no festival de horrores que Antônio proporcionaria, contudo não seriam os ‘detalhes’ que levariam minha diversão ao fim!

   Há um dia na sua vida que é preciso escolher qual caminho seguir. Pensei que meu momento havia passado. Tive uma adolescência difícil e fiz minha escolha cedo. ‘Fuga ou morte’ era o que minha mente dizia. ‘Fuga ou morte’ eram minhas únicas escolhas! Eu já estava fugindo há tanto tempo... Foi aí que conheci Antônio e o mundo. Pra mim, estar com ele era uma fuga; só não imaginei que para ele era a morte.

- "Tu estas me sufocando Madalena, aos poucos... Vês isto tão bem quanto eu, mas não quer acreditar que preciso ir!"

   - "Então vá homem! Vá-se embora..."

   Ele foi e minha vida voltou à mansuetude de sempre! Bastou a arrumação na bagunça, passar um pano nos móveis e tudo voltou ao normal. Nunca mais o vi, até agora...

   Finalmente o dia chegou! Quem me dera eu fosse um mosquitinho para estar vendo o rosto de Antônio e descobrir lhe o plano que arquitetara... O presente que escolhi era o mais desejado dentre as recém-casadas: Um quadro famoso e caríssimo que seria posto na sala de jantar. Sem remetente, enviei o presente sem delongas; mesmo que, levemos em consideração, tenha me custado metade de economias guardadas há muito. “O ontem já passou. Agora é a melhor ocasião para teu crescimento e renovação”, li esta frase num livro de autoajuda, disseram-me que seria bom se eu seguisse os conselhos que o autor dava, mas eu nunca pus em prática. Quem sabe esta situação não me ajudaria a fazê-los...

   A igreja estava linda. Já haviam pessoas distribuídas pelos vários bancos. A noiva tem ótimo gosto! Quem me dera um dia ser tão elegante quanto ela... Os conhecidos já avistavam-me e cumprimentavam com incredulidade. Chegou a passar pela minha cabeça que era loucura demais ir até lá, minha vida já não fazia parte das artimanhas de Antônio, eu não precisava me sentir culpada, eu não precisava estar ali.

   “Quando você pensar em coisas ruins ou que queiram fazer você desistir, finque o dedo indicador na raiz do polegar até sentir muita dor”.

   É engraçado como os pensamentos ruins surgem primeiramente. Um romance ensinou-me está prática que jamais esqueci. Talvez por que envolvesse dor para tratar da mesma, talvez por ter sido lido em um momento importante de minha adolescência, talvez... Crescida ou não, eu ainda tinha dúvidas sobre muitas coisas, mas não sobre isso. O meu destino era estar naquele casamento e eu ficaria nele até saber o porquê!

 Farias, Maikele. "Olhos negros Desconcertantes... - Parte 2". Maio, 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, M., foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

O Ladrão de Maçã

- O que foi filho?
O menino chorando, com as mãos sujas de terra, correu ao encontro da mãe.
- Minha maçã. Roubaram minha maçã.
- Eu te falei para você ficar quietinho lá na escadinha
- O menino veio e pediu um pedaço, eu não dei, ele me tomou e saiu correndo.
- Como ele era?
- Feio, usava um boné preto, cabelo grande, olhos azuis.
- Ele estava com mais meninos?
- Não, era só ele.
A mãe toma as providencias cabíveis e Meia hora depois o guarda municipal traz o menino.
- Olha aqui, o delinquente de maçã. Ele já faz isso há muito tempo. Temos aqui um futuro bandido.
- Foi você que pegou a maçã do meu filho?
O menino baixou a cabeça, e com os dedos dos pés faziam um desenho no chão empoeirado.
 - Moleque, estou falando com você.
O menino parecia não se importar. Quando o guarda deu um tapinha forte na cabeça do menino.
- Responde delinquente.
- Veja só como esta nosso país, uma criança dessa idade e já é ladrão. Pelo jeito, esse menino não tem um futuro brilhante.
- Se o país está assim, a culpa também é sua.
- Como é que é?
- Sou um ladrão de maçã não porque eu quero, mas porque eu não tenho o que comer. Eu pedi um pedaço de maçã para ele, ele me ignorou, disse para eu sair de perto dele, eu estava com fome, peguei a maçã e sai de perto dele.
- Você rouba e coloca a culpa em meu filho?
- Eu vivo na rua, nunca tive pai nem mãe, nunca tive uma casa, nem brinquedo, mas tenho vontade. Vontade de poder pegar um ônibus e ir à escola, vontade de segurar na mão de um adulto sabendo que ele vai me proteger. Vontade de ganhar um pouco de atenção ou uma maçã.


- Eu não tenho nada a ver com seus problemas.
- Não me chame de ladrão ou que eu não tenho um bom futuro. Eu ainda tenho esperança que tudo vai mudar. Eu sei que é errado roubar maçãs de crianças que poderiam ser minhas amigas. Eu tenho fome, desejos, sonhos, eu quero coisas que todos os dias vocês jogam fora, eu quero o abraço que vocês não se importam. Eu quero mais que maçã.
A mulher já estava abismada com o que o menino dizia.
- Eu roubo maçã, mas se eu pudesse roubaria o amor que vocês desperdiçam, roubaria um pouco de colo. Mesmo que fossem restos, mas é melhor que viver nessa solidão, onde só ganho restos de comida, e às vezes tenho que rouba-las para ter. Não sou o ladrão de maçãs, sou o ladrão de sonhos, sonhos que a vida já tirou de mim, eu estou apenas pegando de volta.
A mulher não se conteve e lacrimejou o guarda já o havia soltado, então a mulher agachou-se e abriu os braços, oferecendo ao ladrão de maçãs, o que ele mais deseja roubar, mas que nunca conseguiria, pois era impossível, um abraço esperançoso, e cheio de sentimento.
- Desculpa, desculpa, desculpa.
A mulher soluçava no ouvido do menino.
- Eu sou mais que um ladrão de maçã.
- Eu sei disso, não quis lhe julgar, mas o fiz, então me Perdoa, desconhecia os motivos pelo qual você cometia tal erro.
Ele continuou, como se ele mesmo estivesse forçando a acreditar no que dizia.
- Sou mais que um ladrão de maçãs.
Após alguns minutos. A mulher levantou e disse ao guarda.
- Encaminhe esse menino a um orfanato e me passe o endereço, vou adotá-lo.
O Guarda ficou surpreso com aquele pedido.
- Ele é um ladrão.
- Ele é mais que um ladrão de maçã, ele é um ladrão de sonhos, não quero repetir o mesmo erro duas vezes.
-Soube do seu filho mais velho.
- Então faça o que lhe peço.
Ela novamente se agachou ao menino e sussurrou
- Vai dá tudo certo. Você vai resgatar seus sonhos outra vez.



 Menires, Ana. "O Ladrão de Maçã". Maio de 2012.  http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

domingo, 13 de maio de 2012

Mãe crioula.

  Em homenagem ao dia das mães, deste ser tão maravilhoso, preparou-se esta singela postagem, trazendo um vídeo da música "Mãe campeira", escrita por Celso Dornelles e interpretada por Sandro Coelho, e também uma poesia do ilustre Jaime Caetano Braun, intitulada "Mãe crioula". Esperamos que gostem!
   A todas as mães, parabéns! 





Mãe crioula do Rio Grande,
Sacrossanta criatura,
Olho d’água de ternura
Na velha várzea pampeana,
Não há rincão de alma humana
Onde não se erga um altar
Somente pra te adorar
Como deusa e soberana!

Mãe crioula do Rio Grande,
Legenda de mil amores,
Campo bordado de flores,
Delicadas, sem espinhos,
Sombra amiga dos caminhos,
És o sagrado reduto
Onde o xiru, por mais bruto,
Aprende a beber carinhos!

Mãe do piasito dos ranchos
Ao desamparo da sorte,
Desses que rolam sem norte
Pelos atalhos da vida;
Mãe que embala comovida
O amado filho campeiro
Rezando, à luz do candieiro,
Pra que ele cresça em seguida.

Mãe do gaudério sem lei
Que um dia se foi embora;
Mãe santa e buena que chora
Antes do filho partir;
Mãe que não sabe pedir
Por ter medo de magoar;
Mãe que de tanto chorar
Desaprendeu de sorrir.

Mãe do pobre peão de estância,
Miserável dos galpões.
O paria das solidões
Maltrapilho, analfabeto;
Mãe que sob humilde teto
Pressente o trote do pingo,
Do filho que vem Domingo,
Trazer-lhe um pouco de afeto.

Mãe da chinoca inocente
Que enfrentando um mundo novo
Um dia caiu no povo
Pialada por sorte atoa;
Mãe divina, sempre boa,
Que lá ficaste sozinha
Rezando pela chininha,
Pois a mãe sempre perdoa.

Mãe dos tauras que morreram
Em peleias de outras eras;
Mãe que ao cruzar nas taperas
Sente que o peito lhe inflama,
Porque sofre o mesmo drama
Que alguma outra mãe sofreu.
E recolhida ao seu "eu"
Em lágrimas se derrama.

Mãe que sofre ouvindo o guaxo
Rinchando, de tardezinha,
Como a chamar a mãezinha,
Num triste e longo estribilho,
Por ver no pobre potrilho
O pesar orante e profundo
Do filho sem mãe no mundo
Que o possa tratar de filho.

Mãe gaúcha incomparável,
Rainha do céu azul
Mãe do Rio Grande do Sul,
Mãe do centauro charrua,
Nem estrelas, nem a lua,
Jamais te igualam no brilho
Quando a sentença - "Meu filho"
Entre os teus lábio flutua.

Por isso e que, reverente,
Santa mãezinha querida,
Fonte de amor e de vida
Sacrificada aos deveres,
Sinto o maior dos prazeres
Ao beijar-te, anjo bendito,
Pois em ti eu beijo contrito
O mais sagrado dos seres!

Jayme Caetano Braun.


sábado, 12 de maio de 2012

Transmutada (para minha mãe Izolina).

Escrevi os versos abaixo em 1996, quando minha mãe sofreu um AVC e, então, sua rotina de mulher rural reduziu-se a passos lentos e inseguros. Reaprendeu  a caminhar e, embora as limitações restadas, está com 74 anos de idade.
Desejo a ela e a todas as mães do mundo muita fé e esperança!

***

Transmutada 
(Para minha mãe Izolina)

Minha mãe que foi esteio
E com seus braços me arrancou
                                     Do chão
E me plantou inteiro e verdadeiro
Na terra escura deste coração

E me ensinou todas as coisas
As fábulas boas
As úteis estradas
As úteis coragens
Com mudas mensagens...

 A mãe que me manteve
 A salvo das espadas
 E sempre enrodilhado
 Como as encruzilhadas...

Agora ela divaga
E devagar me afaga
As horas tresnoitadas

Agora eu sou seu pai
Pois ela é de cristal
Enquanto está tão triste,
Quando  resiste e não cai.

Tenho-a sempre igual
Lenta e precisa e às vezes
A inoportuna
Lua diuturna
Senhora dentro da moldura
                Das janelas
Carinho de alegre cancela
Que nos deixa adentrar
E sentar junto à sombra
De uma casa grande e velha.

Quero entrar no seu olhar
Fazer fogo e alimentar
As duas estrelas que brilham
                              Por nós
E então lhe fazer corajosa
Contra o gume da doença
Que nos murcha uma rosa  

Minha mãe hoje é cautela
Já não transpassa o poente
Recolhendo a criação
Recolhe-se na sala e nos reparte
Seu silêncio
Com roncos de chimarrão.

 Queria tanto dizer-lhe (dentro da alma)
 Que todos nós voejamos daqui
 Com asas grandes
 Que nunca se aparam

E se nos separam da casa
Dos nossos filhos, amigos
Nos juntamos a tantos
Que foram

...Que  somos enfim
Sem fim...

Minha mãe agora
Está mais líquida que sólida.

Nas lágrimas claras
Que fazem aguada no seu rosto
Reencontro

Todo o cristal do meu pranto.
As lágrimas claras lhe encharcam
                                  O rosto,
E a menina triste do seu avesso rural
Garimpa em meus olhos
Este pranto e este sal.

****

Minha Mãe:

 Neste dia dedicado a ti,
 Todos os meus dias
 Querem se concentrar em poderoso amor
 A te dizer que és o meu começo
 E meu endereço da mais bela flor.


Farias, Juarez Machado de. "Transmutada (para minha mãe Izolina)". Maio de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima.

Licença Creative Commons
Esta obra de Farias, Juarez Machado de, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

Olhos negros desconcertantes... - Parte 1.



                                                                         1.
  Sempre me vi escrevendo para todos, menos para ti. Não por falta de consideração (quem me dera!), mas tu sempre me pareceste tão imprevisível que digo que é quase milagre teres um endereço fixo, uma casa ou mesmo, um relacionamento duradouro.

 Diante de nosso aparente afastamento, tu fizeste esta loucura de te prender a alguém sem meu consentimento; não que ache que me deves alguma explicação, não... Porém, diga-se de passagem, sempre fui a mais centrada diante de 10 netos e netas, além dos agregados. Lembra-se? Tu fazias parte destes últimos! Os mais adorados e admirados por mim. Os “grandes”... E hoje se tornou apenas mais um pequeno, como eu. Quando decidimos dar as mãos e lutar contra o mundo, não tive um pingo de autoconfiança, entretanto, isto não fez-me desistir (não naquele momento!), pois estávamos lado a lado, como todos os dias da minha vida desde o dia em que o conheci até nossos últimos instantes.

 Eu era a parte mansa de nosso naufrágio constante, tu eras a onda que nos matava e eu?  Só me afogava; só me afogava... Sem perceber! Não que isto me fizesse mal. Ao contrário: Adorava esta emoção, a sensação de ter de lutar por minha vida só para dá-la a ti, sem argumentos ou hesitações. Diz-me, não sentes vontade de gargalhar só por perceber que isto era o que chamávamos de amor?

 Ela é linda não é? Vejo-os sempre aqui de minha janela. Ainda pergunto-me se esta não é mais uma de tuas artimanhas para que jamais lhe esqueça. Ela trabalha com crianças. Ando pesquisando sim. Deve ser tão meiga e doce! Do jeito que nunca fui... Deixemos de lado todo este constrangimento de lembrar-lhe do passado. Acredito que sabes por que escrevo a ti neste momento, não é mesmo?

 Acordei tão tarde (como de costume!) e deparei-me com correspondências sobre a mesinha da saleta. Entre contas e mais contas, convites e aporrinhações; lá estava o que menos esperava encontrar... Em todas as vezes que tu surpreendeste-me esta foi a mais divertida e realmente inesperada (e fantástica) surpresa. Um convite de casamento é imprevisível, mesmo falando de tua pessoa, um exímio cafajeste e mais ainda “Mestre dos Caras-de-pau”. Sinto como se fosse meu dever ir até a cerimônia mesmo que seja para alertar esta pobre mulher que tu farás enlouquecer como tantas outras... Quem sabe esta não é minha missão, como a tua quem sabe, não será casar-se e desfrutar de uma vida sossegada e harmoniosa. Quem sabe eu fui umas das paixões e ela é o amor de tua vida? Pois tu sabes, a ordem não altera o produto!

 E já falando em tua sabedoria, acreditas que estranhos deram de parar-me na rua para perguntar sobre ti? Hoje mesmo encontrei algum conhecido teu (sabedor de nossa turbulência amorosa), na fila da padaria. Ele sorriu e veio até mim de braços prontos para um grande e doce abraço como se nos conhecêssemos há muito, não me lembro de conhecer alguém tão simpático. Foi tão gentil a ponto de convidar-me para um café. E eu aceitei (claro!), não recusaria convite vindo de tão bom coração...

  “- Então como vai Madalena? Há tanto tempo que não deslumbro esta tua beleza cosmopolita... – Disse-me o estranho, com um dos mais belos sorrisos que já vi. – E como vai Antônio? Outro desaparecido... Soube que vão se casar, boa sorte.

 Acho que empalideci nesta hora, pois logo segurou-me a mão e perguntou se passava bem.

 - Sim, sim... Digo... Não nos casaremos...

- Mas... O que ouvi pelas ruas foram apenas especulações?

- Não... Antônio se casará! Apenas, não comigo...

 Senti pena do estranho. Seu belo sorriso se desfez e refez-se em seu rosto um riso amarelado. Logo recobrou a postura e adquiriu um tom de seriedade...

- Perdoe-me... Como disse, há muito que não vejo Antônio... Não deveria ter tocado neste assunto! Perdão senhorita... - Então o estranho olhou-me nos olhos e beijou-me a mão e eu ali, toda entregando a um desconhecido. – Como não pude perceber? Recebi o convite anteontem, mas não o abri. Vocês pareciam fazer o tipo de casal que jamais se separa. – Soltou minhas mãos e sua expressão tornou-se sombria. – A senhorita perdoa-me? De coração...”

 Devo confessar que neste momento já não escutava o que meu querido desconhecido relatava. Só tinha atenção para aquele mar de emoções que ele demonstrava apenas nos olhares. Ora um, ora outro... É por um desconhecido destes que as mocinhas ingênuas apaixonam-se sem ao menos uma pesquisa adequada ou mesmo, uma descoberta de nome e endereço, (pensando bem, eu também, ainda, não havia desvendado a graça de meu novo conhecido... Muito menos uma alcunha!). Estava perdida numa fascinação espontânea... Sei que não sou uma moça ingênua, mas ainda assim...

“- Então Madalena, me perdoa?

- Sim, sim... Não há porque preocupar-se. - Sorri.”

 Levantei-me, dei qualquer desculpa para sair quase numa correria sem prelúdios. Paguei o que consumi e sumi! Não perguntei seu nome, nem seu endereço. Uma pulga atrás da orelha seria um ótimo aperitivo para o resto da semana trabalhosa que teria. Pois tu sabes, sempre me foi difícil achar algum vestido de festa que me caísse bem. Mas para teu casamento iria nua se precisasse, poucos têm a sorte de vivenciar milagres (se podemos chamar de sorte, claro), e eu, não perderia minha oportunidade.

 Irei a teu casamento, apenas, com a simples intenção de encontrar o novo conhecido de minha vida. Quem sabe descobrir-lhe o nome, idade, endereço, status de relacionamento, situação financeira... Descobrir-lhe as verdades e vergonhas. O dono dos olhos negros desconcertantes...

    Farias, Maikele. "Olhos negros Desconcertantes...". Maio, 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
  Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported. Deve ser citada conforme especificado acima

Licença Creative Commons
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.
 
Licença Creative Commons
Diálogo Livre de Farias, M. S. et alia é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em livredialogo.blogspot.com.br.
Permissões além do escopo dessa licença podem estar disponível em discente.farias@gmail.com.

Blog Archive