sábado, 22 de agosto de 2015

Sobre política e livre-arbítrio

Acho curioso como algumas pessoas negam o livre arbítrio. Dizem-se, por exemplo, que as cartas de azar destroem famílias e fortunas, que as armas matam, que a bebida desgraça, que as redes sociais destroem relacionamentos... Ora, e quanto aos que manejam tudo isso? A responsabilidade inerente às escolhas, ao descuido das pessoas é amiúde repassada à coisas inanimadas ou mesmo imateriais.
Assim também ocorre na política. Queixamo-nos da corrupção, mas não da nossa, evidente: da corrupção dos políticos que elegemos! E, francamente, qual outro critério a maioria dos eleitores utiliza se não os benefícios particulares que espera lograr votando neste ou naquele candidato daquele ou deste partido? A intensão do voto deveria ser um ato de cidadania, de civismo, não cinismo.
Qual a diferença entre as pequenas trapaças e corruptelas que praticamos no quotidiano daquelas que os políticos, os empresários proeminentes e o seu chefe praticam? O que muda, diria um amigo sábio, é o tamanho da oportunidade!
Se admitirmos certo comportamento em nome de uma satisfação pessoal simplesmente por que "isso não vai prejudicar ninguém", ou por que "não faz diferença", mesmo sabendo do incorreto que o é, estamos permitindo uma flexibilização de nossos valores. Conforme a oportunidade cresce e esse comportamento se torna habitual, a dimensão da corrupção aumenta.
Vejo dizer que vivemos uma crise ética. Discordo. Ética é matéria de estudo da Filosofia; não se impõem: ela serve para estudar a moral - e ainda assim requer uma perspectiva, como diria um professor de Legislação Social. A "ética" à qual estamos habituados é, na verdade, código deontológico.
Penso que vivemos uma "crise" de consciência, onde cientes da hierarquia de nossos valores, toleramos comportamentos e práticas sem a coragem de submetê-los à essa mesma hierarquia. E, por isso mesmo, é mais conveniente atribuir a qualquer outro que não a cada um em sua medida a responsabilidade por consequências desastrosas.

Como disse Thatcher:
 "Cuidado com seus pensamentos porque se convertem em palavras. Cuidados com tuas palavras porque se convertem em ações. Cuidado com tuas ações porque se tornam hábitos. Cuidado com os teus hábitos porque eles formam teu caráter. Cuidado com teu caráter porque se torna o teu destino. Nós nos tornamos naquilo em que pensamos".


Farias, M. S.

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