quinta-feira, 27 de junho de 2013

O futuro da modernidade


Introdução
Pode-se dizer que dois fatores foram essenciais ao desenvolvimento de nossas sociedades e que um destes é à base de nossa atual. O primeiro desses fatores foi a Revolução Industrial, que fez surgir à máquina na produção têxtil, desenvolveu, por assim dizer, a indústria;  o advento do motor a vapor revolucionou também os meios de transporte e outros setores. O segundo fator foi a descoberta e o empreendimento do petróleo. Nossas sociedades estão baseadas, sobretudo, nessa forma fóssil de obtenção de energia e outros insumos.
Hoje é difícil pensarmos em uma sociedade sem recursos enérgicos, ou antes, sem estes em larga escala. É impensável vivermos em um mundo sem energia elétrica, sem eletrodomésticos (micro-ondas, computadores, televisores, lâmpadas, chuveiros, etc.), da mesma forma que sem combustíveis, o que implicaria em um colapso total dos meios de transporte. A carência de matéria-prima à produção de energia, logicamente, remeteria a um contexto semelhante ao supracitado; seria como que regressarmos à Idade Média em termos tecnológicos e industriais.
A matéria-prima utilizada pelas nossas sociedades, hodierno, é, predominantemente, o petróleo e o carvão mineral, ambos concebidos como fontes de energia fósseis e grandes colaboradores dos danos ambientais. Ambos estes movimentam a vida moderna. Da destilação fracionada do petróleo nas refinarias produz-se a maioria dos combustíveis que alimentam os vários tipos de motores (gasolina; diesel; querosene; gás natural; combustível de aviação; gás óleo; bunker[1] etc.), desse processo também resultam óleos lubrificantes minerais, graxos e sintéticos utilizados nos motores e máquinas – das comuns às ultra-pesadas; piche, betume ou asfalto que agregado a materiais adequados constitui a pavimentação de ruas e estradas. Da separação dos componentes do petróleo seguida de reações químicas na indústria se originam detergentes; plásticos; tecidos; borrachas; essências para perfumes; tintas e corantes; medicamentos; inseticidas; fertilizantes agrícolas; explosivos; colas, dentre outros.
Embora seu caráter poluidor, estas fontes de energia são relativamente baratas e, até então, abundantes na natureza. Não obstante, são finitas. Temendo, em futuro não muito distante, a completa escassez desses recursos, tanto mais que seus efeitos negativos sob o meio-ambiente, cientistas do mundo inteiro trabalham na concepção e desenvolvimento de fontes de energia renováveis, ecologicamente corretas, sustentáveis e o mais importante: economicamente atrativas. De tais pesquisas surgiram, por exemplo, os parques eólicos, as usinas geotérmicas, dentre outras fontes de produção de energia elétrica, bem como os biocombustíveis – tema central do presente objeto de estudos.

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Biocombustíveis
Os biocombustíveis são, essencialmente, combustíveis de origem agrícola, não fóssil e renovável – fato pelo qual também são denominados agrocombustíveis. Embora toda forma orgânica de vida seja capaz de produzir alguma forma de energia – bioquímica – os biocombustíveis são formados em laboratórios, de forma industrial, tendo em vista seu uso comercial que demanda grande quantidade.
Existe também a biomassa, outra forma de obtenção de energia, considerada renovável e não fóssil, que consiste no reaproveitamento do lixo. Mas por que renovável? Simples: nossas sociedades produzem, diariamente, toneladas de lixo, além do que, a biomassa compreende também a decomposição natural de qualquer forma orgânica – sejam animais, plantas, fezes, enfim qualquer elemento orgânico. Sabe-se que os lixões, mundo a fora, emitem gases poluentes; dentre esses gases está, por exemplo, o metano, que é combustível.
Através da biomassa é possível obter, por exemplo, o biogás; para tanto, utiliza-se um biodigestor, resumidamente um recipiente vedado onde estão os restos orgânicos; os microrganismos responsáveis pela decomposição entram em ação, provocando a decomposição anaeróbica[2], liberando grande quantidade de gás que é canalizado. Existem também outros quatro processos: (1º) pirólise[3]: obtêm-se gás, carvão natural e óleos vegetais; (2º) gaseificação[4]: produz apenas gás; (3º) combustão[5]: obtêm-se vapor e gás, normalmente utilizado em caldeiras e para alimentar turbinas a gás; (4º) co-combustão: atualmente o mais empregado, é a substituição na queima, de parte do carvão mineral, em termelétricas, por biomassa.
O biodiesel é também insumo da biomassa, obtido, porém, através de gorduras vegetais e animais – óleo de cozinha (de girassol ou canola, etc.) e banha, por exemplo. Pode ser empregado em detrimento do diesel de petróleo, e não possui em sua configuração a presença de enxofre.
Já o bioetanol é produzido pela síntese de amidos, sacarose e celulose, podendo também substituir parcial ou completamente o etanol de petróleo, inclusive sendo agregado à gasolina; pode ser utilizado na fabricação de perfumes, desodorantes e medicamentos etc., enfim, pode substituir amplamente o etanol convencional. Dentre as principais matérias-primas do bioetanol, hoje, estão o arroz, o milho e a soja.

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Considerações finais
À primeira percepção os biocombustíveis parecem ser a solução perfeita aos mais irrequietos problemas ambientais e econômicos atuais e futuros; baratos, renováveis, ecologicamente adequados, virtualmente possibilitam – ou antes, aumentariam – a independência dos Estados em relação à importação de combustíveis... Porém, há outros aspectos que devem ser considerados.
Os biocombustíveis são favoráveis economicamente a partir da perspectiva que todos os países os poderiam produzir, além de que se pode controlar sua quantidade através do aumento ou diminuição do plantio de matéria-prima, ou do uso de biomassa; diferentemente do petróleo que é um recurso finito, localizado em depósitos submarinos, cujo processo de extração, transporte, manuseio e uso ofertam constantes riscos à natureza, além de ser incomum a todos os países e, pelo fato de estar cada vez mais raro, seu preço elevar-se tanto mais.
A partir de uma perspectiva ambiental o tema ainda é polêmico. Há argumentos de ambas as partes; os que apoiam os biocombustíveis defendem que as plantas que os originam absorvem Co2 do ar e compensam a queima futura. Todavia, não existe nenhum estudo que comprove essas alegações, além do que, se deve considerar também a emissão de poluentes das máquinas colheitadeiras, do processo de fabricação de biocombustíveis, dentro outros. Um suposto estudo realizado nos E.U.A., por volta do ano de 2007, teria afirmado que na China o uso de bioetanol de milho elevaria ao invés de reduzir os índices de poluição, até 2010.
As alegações desfavoráveis à produção de biocombustíveis também se embasam sobre a premissa de que não há como saber realmente seus benefícios e que, para plantar matéria-prima é necessária terra, que poderia servir ao cultivo de gêneros alimentícios ou ao abrigo de ecossistemas essenciais à vida.
A ONU (Organização das Nações Unidas), em 2007, emitiu um relatório alertando para tais aspectos ecologicamente contraditórios da produção de biocombustíveis. Um dos pontos frisados foi o risco da predominância da monocultura. O Brasil, por exemplo, possui regiões em que predomina o plantio de soja, em caso dos biocombustíveis, especula-se que haveria um amplo predomínio da plantação de cana-de-açúcar, remetendo o país a uma condição muito semelhante a colonial. Ademais, representa um risco assentar a economia de um país sobre monoculturas, qualquer imprevisto (queda do preço de exportação; aumento do valor de produção; pestes ou pregas) desestabilizaria economicamente o Estado.                                      
A redução na plantação de gêneros alimentícios em detrimento da produção de matéria-prima à indústria bioquímica geraria escassez de alimentos e aumento expressivo dos preços, intensificando diversos problemas socioeconômicos, o que exigiria do governo adoção de alguma medida nesse sentido. Em 2013 já se pode sentir aumento dos preços de alguns gêneros alimentícios em função de fatores ecológicos climáticos; alguns gêneros tiveram aumento de até +84,90% (farinha de mandioca); +37% (arroz); 37,74% (feijão).
A grande preocupação da ONU e de outras entidades é que o promissor mercado de biocombustíveis leve a uma perniciosa “corrida do ouro”.

Farias, M.S. "O futuro da modernidade". Maio de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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Referências
Souza, Joamir Roberto de. Novo olhar matemática. 3º v. 1ª ed. São Paulo: FTD, 2010.
Gonçalves Filho, Aurélio. Física e realidade: ensino médio física 3. São Paulo: Scipione, 2010.
Peruzzo, Francisco Miragaia. Química na abordagem do cotidiano. 3º v. 4ª ed. São Paulo: Moderna, 2006.
http://pt.scribd.com/doc/69975379/O-aumento-do-preco-dos-alimentos-crescimento-da-populacao-e-degradacao-ambiental
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/fao-pede-apoio-a-pequenos-produtores-na-luta-contra-a-fome
http://www.vozdocampo.com/especiais/comunicados/indice-da-fao-para-os-precos-dos-alimentos-permanece-inalterado-em-janeiro/
http://www.extralagoas.com.br/noticia/5358/geral/2012/09/18/aumento-no-preco-dos-alimentos-puxa-nova-alta-na-inflacao.html
http://www.abrasel.com.br/index.php/atualidade/noticias/1880-020113-setor-de-alimentos-seguira-pressionando-inflacao-em-2013.html
http://alimentacaoviva.blogspot.com.br/2007/07/onu-faz-advertncia-para-perigos-dos.html
http://jpff.no.sapo.pt/trabs/ciencias/recursos/recursosenergeticos.htm
http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/cienciasnaturais/ciencias_trab/recursosenergeticos.htm
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061204100517AAS6d2O
http://textozon.com/conteudo/artigo-3551.html
http://www.energiasealternativas.com/o-que-sao-energias-alternativas.html
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_258387.shtml
http://www.espacoecologiconoar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=18349&Itemid=65
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-alertam-para-perigos-do-uso-de-biocombustiveis,454965,0.htm
http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2007/05/09/31010-onu-faz-advertencia-para-perigos-dos-biocombustiveis.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Biocombust%C3%ADvel
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/combustiveis-madeira-ao-biocombustivel-435651.shtml
http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI315905-18077,00-EMBRAPA+DESENVOLVE+VARIEDADES+TRANSGENICAS+RESISTENTES+A+SECA.html
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,desmatar-para-plantar-biocombustivel-agrava-o-efeito-estufa,121167,0.htm

http://nagencia1.blogspot.com.br/2008/04/floresta-amaznica-vai-ser-devastada.html



1. Combustíveis para veículos marítimos.
2. Microrganismos anaeróbicos são aqueles capazes de viverem privados de ar ou oxigênio. A decomposição anaeróbica a que se refere dá-se em ambiente com tais condições ou com baixa presença de tais elementos.
3. Submete-se a biomassa à queima em altas temperaturas em ambiente sem oxigênio.
4. Semelhante à prévia, porém, as temperaturas empreendidas são menores.
5. Queima da biomassa a temperaturas altíssimas, na presença de oxigênio.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Douglas Dutra lança seu primeiro e-book.

     Douglas Dutra, proprietário/redator do "Café, Poesia & Ideias" publicará dia 26 do corrente, em seu blog, seu primeiro e-book com poesias inéditas e uma seleção feita pelo próprio autor de seus melhores trabalhos. O download do livro virtual é inteiramente gratuito.
    O prefácio da obra é de autoria de Gustavo Magnani, escritor, idealizador e administrador do "Literatortura" - um site fascinante com excelentes conteúdos e que o Farias aqui aprecia bastante.
     Para quem gosta de poesias de escrita livre, com temas inovadores e críticos, a obra de Douglas pode ser uma boa pedida. O e-book também permite ao leitor observar o amadurecimento do autor ao longo do tempo, bem como a solidificação de suas particularidades de escrita.  


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Certas Coisas

Quem sabe o que
o silêncio quer dizer?
Quem sabe o que
eu posso fazer?

Certas coisas não
são feitas pra entender,
como luz do sol
após o entardecer.

Certas coisas não
se pode explicar,
como eu estou
estando a te amar.

Ouça os gritos do silêncio,
veja as luzes da escuridão.
Saiba que te observando
sempre haverá um Grande Irmão.

Entenda o que digo
quando eu estou calado.
Não xingue o que eu faço
quando estou do teu lado.

Pra escapar da armadilha
ouça a chuva no telhado.
Pra cair na armadilha
tente ir p'ro outro lado.

O que o poeta quer dizer
quando compõe uma canção?
                                                                            (Douglas Dutra)


     - Gostou? Então "corre" lá e baixa o e-book! 

domingo, 23 de junho de 2013

Quem dera fosse só pelos R$ 0,20...

1. Manifestar o sentimento de cidadania e patriotismo deveria ser um direito de cada cidadão, muito mais que uma obrigação. Nossa geração, denominada "geração Coca-Cola" nunca presenciou de fato crises políticas, econômicas e sociais como se acredita os jovens de 1964 protagonizaram; muitos dos que foram às ruas neste junho de 2013 talvez não tenham sido nem Caras Pintadas. Nascemos já em um tempo de lutas findas e vitórias logradas; em um tempo onde se prega que vivemos em democracia, em liberdade, numa igualdade... Todavia, algo que deveria ter acabado há 500 anos ainda se faz presente em nosso governo: os altos impostos, a ingerência do Estado e a corrupção.
2. Geográfica e culturalmente o Brasil é um país rico, diverso. Durante o colonialismo fomos a "ama dourada" de Portugal. Mesmo após nossa Independência e de nossa República proclamada prosseguimos pagando altos tributos para cada governo que passou pelo poder; crê-se que hoje paguemos mais de 50 tributos. A questão tributária afeta diretamente a questão do emprego, pois com as empresas, pequenas ou grandes, precisando pagar por quase, senão tudo o que fazem e produzem, é certo que precisarão elevar preços, reduzir o número de funcionários em função dos gastos com salários. Salários baixos, preços altos e pouco emprego à disposição somente pode gerar uma sociedade desequilibrada e com graves problemas sociais e - porque não dizer? - morais. Ayn Rand, em "A Revolta de Atlas" cria um universo onde o governo incompetente congela salários, estagna e controla a indústria, cria impostos desproporcionais e põe a sociedade em miséria caótica.
3. Isto nos leva à questão da ingerência do Estado. A arrecadação do governo em impostos não é pequena. Segundo o "Impostômetro", lançado em 2003 pela Associação Comercial de São Paulo, entre 01/01/2013 e 20/06/2013, o valor total de impostos pagos pelo brasileiro é de 733.376.990.117,48 reais. O governo, através da Receita Federal, diz investir em infraestrutura, transporte, educação, saúde, etc., contudo, o povo não vê grandes resultados. Não-raro as obras públicas são mal planejadas, caras demais e lentas, isto quando não resultam mal acabadas como a TransAmazônica. No SUS é comum ver hospitais sucateados e déficit de médicos que se recusam a trabalhar quer seja pelas condições de serviço ou pela má remuneração - e quem arca, em todos os sentidos, é povo. Com relação à educação, verdade seja dita, as universidades recebem verbas que não chegam a gastar totalmente, enquanto a educação básica pública sofre com escolas precárias, maus profissionais e, para os bons que ainda restam, remuneração que deixa a desejar. Enquanto isso, segundo estudo da Organização Transparência Brasil, de 2011, o Brasil possui os políticos mais caros do mundo: custam 11.545 reais por minuto; muitos destes parlamentares sem formação universitária e trabalhando menos de 10h/dia - isto sem considerar a quantidade exagerada de políticos em exercício.
4. Uma das coisas que Rand crítica na obra já citada é a falta de valores, de capacidades, o comércio do espírito. Um mau que parece assolar nosso Congresso há décadas feito uma maldição é justamente a corrupção: de "Privataria", dinheiro na cueca à "mensalão", etc. Como se já não bastasse todo o exposto, ainda há político que se apossa do que não é seu, que viaja à Europa à custa da fome, da doença, da violência e da ignorância de seu povo. Enriquecer pelo mérito, pelo suor do próprio corpo é algo poético, mas a conquista imerecida é nauseante. E essa corrupção respinga por setores inimagináveis: a mídia manipula as massas; no Congresso, qual como na selva, uns atacam os outros para se defenderem, quando não, calam-se para preservar suas "tocas de tatu", pois nunca se sabe quem sabe o quê e quando pode fazer tudo desmoronar. Aqueles que deveriam legislar pelo bem da Nação são os primeiros a infringir a Constituição não somente roubando, mas em outros aspectos como o desrespeito ao laicismo do Estado.
5. As manifestações da última semana não foram por R$ 0,20 meramente, isto foi o estopim. A revolta do povo foi contra a má administração do país. O que precisamos no Brasil, a priori, é que o povo entenda seu papel na política e os meios pelos quais lutar, pois apesar de belas e muito significativas, as manifestações em si não resolvem grandes problemas. Nossa política, não nosso sistema político, é que está viciada e necessitando urgentemente ser renovada, é preciso de novos políticos, de novas ideologias. Atualmente o governo cultua a necessidade, parece recompensar a necessidade quando na verdade deveria recompensar a capacidade. Ao invés de dar esmolas, de praticar a caridade que cada vez mais se afigura o contrário da justiça, dever-se-ia observar e incentivar qualidades. Precisa-se que o trabalho digno seja recompensado, é um crime pagar para trabalhar, ser punido pelas suas capacidades e prestigiado pelas necessidades. O trabalho, o salário deveria ser isento de tributos, que se cobre pelo consumo, por exemplo. Necessita-se neste país de uma reforma tributária, fiscal; se o Estado fosse bem administrado, com o que pagamos de impostos viveríamos em uma Nação com excelente qualidade de vida. A questão é que se pode fazer muito melhor e com menos. Precisamos de uma reforma moral positiva! 

Farias, M. S. "Quem dera fosse só pelos R$ 0,20...". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

A influência da Arte

A Arte sempre teve papel de destaque na História de nossas civilizações. O homem primitivo, através de sua “magia simpática” acreditava que desenhar em rochas “sagradas” o ato da caça a tornaria real. Na Idade Média, a Santa Igreja a utilizava para adornar seus templos e também como instrumento catequético, tendo em vista o iletramento do povo, as representações pictográficas da Bíblia tinham motivos didáticos. Durante o século XIX, quando o povo Italiano encontrava-se oprimido pelo domínio austríaco, as composições operísticas de Giuseppe Verdi adotaram um papel importantíssimo; após a prima execução da ópera Nabucco  em Milão no ano de 1842, a ária “Vá, Pensiero”, com o coro de escravos hebreus, tornou-se um hino para o povo oprimido, o símbolo do patriotismo italiano em prol da unificação de seu país. Motivados, os italianos derrotaram a censura austríaca.

Em 2011, quando a Itália passava por problemas financeiros, o governo cortou dentre outras, as verbas à cultura, ante a revolta civil para com o governo, “Vá, Pensiero”, hoje hino extraoficial desse país, mais uma vez entrou em cena. O maestro Riccardo Muti, em um proceder incomum, concedeu bis da referia ária, em meio à execução da ópera Nabucco, dizendo na presença de Berlusconi: “[...] tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto, aquiesço ao vosso pedido de bis para o ‘Va, Pensiero’. [...] nesta noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava ‘Ó meu pais, belo e perdido’, eu pensava que se continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual se assenta a história [...]”.

A música, sobretudo hoje, influencia demasiadamente o jovem, a formação moral deste. Infelizmente, o que se tem observado é o predomínio de gêneros musicais com letras voltadas à vulgaridade, à inversão de valores, a marginalização do ser e um desprestígio dos sentimentos altruístas. Em parte, a violência num aspecto amplo, que vemos no comportamento juvenil é cultivada, fomentada pela incultura, pela baixaria mascarada de Arte, adornada de uma “beleza” que não lhe cabe, e que parece estar sendo bastante difundida por alguns meios midiáticos.

A Arte, a música, quando bem direcionada, constitui-se um meio magnânimo de evolução cultural e intelectual, estimula amplamente as faculdades cognitivas. Melhora as relações interpessoais, a interação social dos indivíduos, sendo também um meio de lazer; um instrumento de autorreflexão e de análise-crítico-reflexiva da realidade ao seu entorno.

Sigamos, à medida do bom-sendo, o exemplo do povo italiano: lutemos pela preservação de nossa cultura, não nos deixemos aculturar, alienar, no sentido marxista do termo. Resgatemos nossa sociedade, ou antes, lutemos pela construção de um mundo, de pessoas melhores, utilizando como arma nada mais que as belas Artes, sem ferir, sem agredir, e sim, como diria Gandhi, convertendo...

Se as pessoas se dedicassem mais à contemplação, ao desenvolvimento das Artes, certamente viveríamos em um mundo melhor, pois creio, não restaria tempo e nem desejo de se pensar em guerra...


Farias, M. S. "A influência da Arte". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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Ópera "Nabucco", ária do "Va, Pensiero", maestro Riccardo Muti (Itália, 2011).

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Convite:

O Grupo Paroquial de Jovens de Piratini convida a todos para a palestra: 

Tema:
"Juventude e Trabalho; conceito de trabalho; oportunidades de trabalho e renda" 

Palestrante convidada:
Professora Maria Elizabeth Moura Gonçalves, docente da Universidade Católica Pelotas (UCPel).


Dia: 19 de julho.                             Horário: 10 horas.

Local: Auditório Maria Lúcia Madruga Corral (Instituto Estadual de Educação Ponche Verde)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Para sempre


Tenho que correr,
Para esconder a dor de uma ferida,
Deixo tudo de lado
Por que por onde ando, parece o fim,
Angústia,
Uma ferida que não posso consertar,
Ignorei sempre os sinais e as portas que me foram abertas,
Mas se ainda tivesse forças poderia lutar
Para sempre, esconderei-me por trás dos sorrisos e mentiras,
Enganarei a mim mesma,
A verdade está me encurralando,
Sou só ilusão.
O medo me cercou, não posso fugir,
Estou presa em uma dor
Que só as cicatrizes mostram quem realmente sou,
Há guerra com o que eu era e o que me tornei,
Corro para escapar dos muros,
Estou agora em uma estrada sem fim,
Quando quis acreditar que a luz poderia retornar
A estrada me deixou,
Sinto-me viva,
Agora quero saber como viver para sempre sem feridas,
Descobri que é simples, devo só acreditar,
Que a luz está sempre no fim de meus percursos.

Morgana (M.A.R.). "Para sempre". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Confusão.



Ao adormecer sonho com ondas batendo-me,
Em um lugar único que nunca ninguém conhecerá,
Vejo tudo em torno de mim,
Como [...], se o passado estivesse morto,
Vejo fogo no céu,
De medo banho-me na morte,
Por não conseguir respirar,
Imploro,
Segura-me agora,
Ao acordar deixo ir os pensamentos,
Escuto os sons dos anjos,
Será que estou ou já não sou?
Sinto-me assombrada por minhas próprias tristezas,
A esperança escorre por minhas mãos,
Penso que durmo, acordada,
Mas as realidades vem tão atona
Que percebo que não sou mais visível
Meu coração arde em dor,
Encontro-me gritando,
Minhas asas de cansaço estão caindo,
Preciso resgatá-las,
Queimo, quebro, não há mais força,
Lembro-me de voltar para o lugar de início,
Peço para livrar-me dessa dor
Vejo o sol,
Meu destino é ir,
Aquela luz forte faz o medo desaparecer
E, com isso minha imagem.

Morgana (M.A.R.). "Confusão". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sorrisos e olhares

Ao olhar para tuas mãos
Sinto o palpitar de meu coração
Galopantes batidas
Parece que irão me lavar a morte
Nunca iria imaginar que este sentimento,
A cada dia se tornaria mais forte.

Uma tão descontrolada atração
Meu corpo clama pelo teu!
Só assim irei encontrar minha salvação
Minha boca é sedenta pela tua
Com um andarilho num árido deserto
Atira-se num poço d´água fresca
Num impulso, na emoção
De não saber ao certo,
Não ouve a voz da razão.
Só assim eu atesto
Serei feliz por completo,
Quando esta minha sede saciar!

Teu olhar por vezes me fascina,
Por outras tantas me alucina.
Para mim, mirar-te já basta
És como o Sol de verão
Dá a minha vida, para seguir, uma razão
Mas tanto dói quando te afastas,
Então sangra meu coração.
Se passar um dia sem lhe ver,
É mesmo que não viver!

Bonotto, Erasmo. "Sorrisos e olhares". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os Dois Lados da Moeda.

Os dois lados da moeda
O sol e a chuva 
Juntos formam o lindo arco-íris
E lá no horizonte faz sua curva

Os dois lados da moeda

A força e a fraqueza
Acredite, tente, lute pelos seus sonhos
E verás que a esperança te concede destreza

Os dois lados da moeda

A fortuna e a miséria
Não basta o poder para ser feliz
Amor pelo próximo é coisa séria

Os dois lados da moeda

A realidade e a imaginação
Universos paralelos
Cada qual tem sua razão

Os dois lados da moeda

O querer e o esquecer
No entanto, imprevisíveis
Cada qual pode se romper

Os dois lados da moeda

A luz e a escuridão
Disputando o domínio do mundo
Penumbra que já está atrapalhando nossa visão

Os dois lados da moeda

A vida e a morte
Destino único para todos 
Não existe fuga por sorte

Os dois lados da moeda

Cara e coroa
Depois das comparações anteriores
Vejam que estranho agora ressoa...




Garcia, Samuel. "Os dois lados da moeda". Maio de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma prévia do que virá...





Meus óculos estão inteiros.
Pode parecer não haver nenhum sentido nessa afirmação. E não há. Não sem um contexto.
Quando meus escritos faziam sentido ou quando havia girassóis no meu jardim, meus óculos eram quebrados e arranhados. Tudo quanto eu via era intenso a meu modo. Tudo que sentia era incomensurável.  Então tudo se fundia, criava vida, contorcia-se, invadia e arranhava. Sentir era grande e falar era desnecessário. Eu só fazia girar e morrer, girar e morrer, fugir... Nos vais e vens dos passos, meus óculos já cansados, atiravam-se a esmo. Tudo parava. O mundo não era nada sem que eu pudesse ver. 
Hoje meus óculos estão inteiros. E quanto mais eu enxergo do mundo mais quero deixar de ver.
 Sim, hoje vejo novo mundo. Mas não devo isto a antigas experiências ou mesmo ao amor. Devo sim, ao meu novo óculos, que me trouxe paisagens mais que lindas e fins de tarde seguros. Aos meus óculos também devo o futuro desta vida, o futuro que então seria perdido por mim entre as ruelas desta cidade mesquinha, a ele devo a minha casa de amanhã, os meus sonhos de jovem escritora, devo meus contos impertinentes, a ele devo até minha audição mais do que boa, pois se enxergo bem por que escutaria mal?
  Agradeço-te meu querido, por ocultar os demônios visíveis, e se os pesadelos não acabaram é por que não é hora, mas se acabarão um dia. Obrigada por me devolver os dias nublados e por desfazer os nublados de meus dias.
 É quase epifânico perceber que apenas a visão rege o que sou ou que me tornei. Como se em todos os anos de minha vida o único sentido que fez pesar-se tenha sido ela. Como se a falta de olhos mudasse-me, fizesse-me mais transitiva, mais pessoal.  Uma vez li que nada é tão intransitivo quanto à chuva. Nada é tão completo por si só. Por isso as pessoas não chovem! Ninguém pode tornar-se chuva.  Pessoas são metades sempre a procura de algo que as complete. Não há nada tão autodestrutivo do que abster-se quando se é intemperante, não é vitorioso – mas é moral! – torna sofrido o que deveria ser agradável e te devora...

  Farias, Maikéle. "Uma prévia do que virá...". Junho de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Angústia.

São 7 horas da manhã
Na minha poltrona, sentei
Pesando sob minhas costas, o afã
Queria desatar os nós que há tempos amarrei

Passei por grandes barreiras

Perdi alguém imperdível
O que pra mim era limpo, só restou poeira
Foi então que acabei por abraçar o inadmíssivel

Desviei da trilha do amor

Com o mundo, me tornei amargurado
Mas graças a Deus, nosso Senhor
Ele me trouxe para o outro lado

Meus erros ainda me perturbam

Minha consciência fala regularmente
Várias vozes me sussurram
Que eu poderia ter feito tudo diferente

Mas de nada adianta!

O tempo é rei e não volta atrás
Sinto agonizando meu mantra
Me julgando por eu não ter sido capaz
Quem amou e eu não notei?
Quem sorriu e eu não percebi?
Quem chorou e eu não me importei?
Quem partiu e eu não vi?

Me persegue o pensamento

Eu poderia fazer muito mais 
Trago a dor do merecimento
Um velho navio que nunca zarpou do cais




Garcia, Samuel. "Angústia". Maio de 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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