quinta-feira, 21 de março de 2013

Olhos negros Desconcertantes... - Parte 9


                                                                   
                                                                           9.

           Voltemos há algum tempo atrás...           
 Estes relatos começaram quando Antônio casava-se, custa-me dizer-lhes que muitos meses passaram desde o dia em questão. Há tanto que passou, mas não há muito a contar... Bem, antes de tudo quero saudar a inspiração que voltou a aparecer-me ainda há pouco. Quando pensei que estava perdida, ainda mais, quando os sonhos esvaiam-se em ácido, dei por mim imaginando o que esperar do futuro. Não havia nada. “O futuro - muitos dizem - é feito dia a dia, hoje é o futuro de ontem. O futuro de hoje é o amanhã!”. A lógica diz-me que estão corretos, entretanto quem já viveu uma vida sem preocupações?
 Devo contar-lhes: Antônio separara-se. Em menos de 11 meses não aguentou o que a vida de casado lhe oferecia, foi-se embora com a roupa do corpo. “Era muito pouco...”, disse-me ele ao visitar-me. Tentei sugerir-lhe um reatamento. “Teu casamento foi tão lindo!”, disse-lhe esperando não dar assistência às suas desesperanças, mas em resposta Antônio olhou-me com incredulidade e partiu com passos duros, batendo a porta atrás de si.
 Já sobre Petrus...
 Logo após o final de semana deixei a casa de campo. Deixei-o. Ele não me pediu para que ficasse. Não disse-me adeus. Logo antes de partir procurei-o em todos os cantos, mas o homem havia evaporado! Deixei um recado agradecendo a estada. Despedi-me de Sr.ª Blair e parti. Soube que não voltaríamos a nos ver dias depois, quando recebi uma carta sem remetente. Dizia apenas: “Morra!”. Foi o clichê que me fez morrer; ri até não poder mais. Ri até entender o que aquilo significava; finalmente eu entendia o amor. Guardei o recado para futuras risadas despreocupadas. Causou-me ódio apenas o anexo. Ele mandava o bilhete que havia lhe escrito às pressas (já que ansiava minha volta ao lar) e rabiscou os erros ortográficos. Não achei graça neste acontecimento, mas poupei papel e caneta diante de qualquer desejo de vingança.
 O amor é raiva represada.  E só.
 Enfim... Já não sei o que contar. A história acaba aqui! Depois de Petrus nada tão “interessante” me aconteceu. Tão frustrante, mas a rotina deu jeito de fazer-me esquecer do que vivi. Não esquecer por completo afinal lembranças nunca morrem.
 “O sonho acabou!”, diria John Lennon, mas direi: “Que a vida comece!”. Vamos para as ruas...

Farias, Maikele. "Olhos negros Desconcertantes... - Parte 9". Março, 2013. http://livredialogo.blogspot.com.br/ 
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